Condenado, Lula retoma o discurso ‘paz e amor’ em vídeo

Após criticar ‘coxinhas’, petista defende ‘menos ódio e mais tolerância’ e diz que autoestima da população está baixa

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2017 | 05h00

Depois de ser condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão e após ter “rivalizado” com o prefeito João Doria (PSDB) na região do ABC paulista ao criticar os “coxinhas”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou o tom “paz e amor”. Em vídeo divulgado neste domingo, 16, no Facebook, ele afirmou que vai dedicar o tempo de vida que lhe resta para provar que o Brasil pode ser diferente e que a situação dos brasileiros pode mudar.

“O Brasil precisa de menos ódio e mais amor, de menos ódio e mais paz, de menos ódio e mais tolerância, de menos preconceito e mais compreensão”, afirmou o petista. Neste sábado, no entanto, Lula questionou durante evento em Diadema: “Quero saber onde estão os coxinhas agora depois do (Michel) Temer governando este país. Cadê as panelas, hein?”

No vídeo Lula afirmou ainda que teve o “prazer de viver no País no momento de maior autoestima do povo”. “As pessoas acreditavam, sonhavam, tinham emprego e aumento de salário, queriam estudar. Tudo isso foi possível criar e agora nada parece ser possível. Nós precisamos voltar a ter autoestima, acreditar que é possível um Brasil ser diferente”, afirmou.

O petista disse ter a “consciência” de que o Brasil “pode melhorar” se for governado por alguém “que goste do povo, que conviva com o povo, que ouça o povo”. “Quero dedicar o resto de tempo que tenho na minha vida para provar que o Brasil poderá ser diferente.”

Segundo o ex-presidente, é preciso que haja mais “tolerância”, já que, de acordo com ele, “hoje as pessoas estão muito preconceituosas”.

Desemprego. Lula também criticou o governo e o Congresso, que, segundo ele, está “desmontando as conquistas dos trabalhadores” no País. “As pessoas no Brasil hoje estão com a autoestima baixa porque a economia está muito ruim, há uma desagregação do ânimo da sociedade por conta do desemprego”, disse o ex-presidente. “Nós temos um governo que não representa nada. Temos um Congresso desacreditado, que está desmontando conquistas dos trabalhadores.”

Sentença. Na semana passada, Lula foi condenado por Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, no caso do triplex do Guarujá (SP). Em pronunciamento após a sentença, o petista afirmou que pretende ser candidato à Presidência da República na eleição do ano que vem.

“Se pensam que com essa sentença me tiraram do jogo, eu estou no jogo”, disse ele em entrevista. Se for condenado em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), no entanto, ele ficará inelegível por causa da Lei da Ficha Limpa.

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