1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Comissões vão se reunir para discutir morte de JK

ELIZABETH LOPES - Agência Estado

23 Abril 2014 | 18h 56

Integrantes da Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog (CMVVH), de São Paulo, e da Comissão Nacional da Verdade (CNV) vão se reunir, em data a ser confirmada em breve, para discutir a morte do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek. O presidente da CMVVH, vereador Gilberto Natalini (PV), contesta o relatório da CNV que afirma que o ex-presidente e seu motorista morreram vítima de um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, em 22 de agosto de 1976. "A morte de JK é um caso em aberto e precisamos confrontar os pontos contraditórios", frisou Natalini, que recebeu a confirmação do encontro entre os integrantes das duas comissões do coordenador da CNV, Pedro Dallari.

Em relatório de 10 de dezembro do ano passado, atualizado em 19 de fevereiro deste ano, a CMVVH, em documento de 30 páginas, conclui que JK e Ribeiro foram vítimas de conspiração, complô e atentado político. O "Relatório JK" lista, de acordo com Natalini, 103 indícios, evidências, testemunhos e provas do assassinato do ex-presidente e de seu motorista. O presidente da CMVVH diz que o relatório preliminar da CNV legitima as investigações e perícias conduzidas por agentes de Estado, policiais e peritos criminais a serviço do regime militar, em 1976, defendendo a tese de acidente.

O vereador lembra que entre as várias testemunhas ouvidas pela CMVVH, foram tomados os depoimentos do motorista do ônibus, Josias Nunes de Oliveira, e de Paulo Oliver, um dos nove passageiros que confirmaram não ter havido choque entre o ônibus e o automóvel. E reitera que além de a CNV não ouvi-los, Oliveira declarou que recebeu uma tentativa de suborno para admitir ter provocado o acidente, o que também foi desconsiderado pela CNV.

Natalini destaca ainda que a CNV menosprezou o relatório da CMVVH e ouviu basicamente policiais que elaboraram as perícias de 1976, como Sérgio Leite e Roberto de Freitas Villarinho, diretor do Instituto de Criminalística do Rio de Janeiro, além de corroborar os trabalhos da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, presidida pelo então deputado Paulo Otávio, no ano 2000. E que também serviu para endossar a versão oficial sobre a morte de JK.