MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Comissão especial da Petrobrás investiga dados de dois mil funcionários

Estratégia de auditoria interna liderada pela ex-ministra do STF Ellen Gracie busca dimensionar o estrago da corrupção na empresa e a identificação dos envolvidos

FERNANDA NUNES E IRANY TEREZA, O Estado de S. Paulo

09 Fevereiro 2015 | 21h49

Rio - Dois mil funcionários da Petrobrás estão na mira das investigações de um possível esquema de corrupção na petroleira. Empregados com acesso a informações dos projetos denunciados na Operação Lava Jato tiveram computadores e celulares apreendidos pela auditoria interna liderada pela ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie. 

A ex-ministra faz parte de uma comissão especial, formada pelo novo diretor de Governança Corporativa, João Elek, e pelo alemão Andreas Pohlmann, que foi responsável pela área de controle interno da multinacional Siemens após denúncias de pagamento de propina por parte da empresa europeia.

O trabalho da ex-ministra foi apresentado pela primeira vez ao conselho de administração da Petrobrás na reunião da sexta-feira. À cúpula da estatal, a comissão especial revelou que conseguiu salvar informações que podem levar ao dimensionamento do estrago da corrupção na empresa e à identificação dos envolvidos. Por utilizar métodos científicos, o trabalho poderá ser usado em juízo. 

O primeiro passo da comissão foi impedir que informações fossem apagadas. Um funcionário em cargo de chefia, que pediu para não ser identificado, disse que homens de terno buscaram computadores e celulares sem aviso prévio na sede da empresa, no centro do Rio.

Coletados os arquivos, o foco será a comprovação da veracidade das informações usadas no balanço financeiro de 2014. A Petrobrás corre contra o tempo para divulgar o resultado e evitar o pagamento antecipado de dívidas. A ideia é rastrear dados falhos e conferir credibilidade aos números que serão apresentados à empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers. 

Intermediação. A comissão especial da qual Ellen Gracie faz parte também faz a intermediação da estatal com dois escritórios de advocacia – um brasileiro e outro dos Estados Unidos – contratados pela companhia para ajudar a calcular os prejuízos provocados por superfaturamentos de projetos.

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