Divulgação
Divulgação

Comissão do Senado quer esclarecimentos sobre general que celebrou ditadura militar

O requerimento é do tucano Aloysio Nunes (PSDB-SP) que pede ao Ministério da Defesa que confirme se o general disse 'que ainda tínhamos muitos inimigos internos, mas que eles se enganavam achando que os militares estavam desprevenidos. E desafiou: 'Eles que venham'.' em referência ao impeachment

Isabela Bonfim, O Estado de S. Paulo

29 Outubro 2015 | 20h32

Brasília - A Comissão de Relações Exteriores do Senado quer ouvir esclarecimentos do ministro da Defesa, Aldo Rebelo, sobre declarações que foram atribuídas ao general Antonio Hamilton Martins Mourão, líder do Comando Militar do Sul. As alegações são de que o general teria incitado as tropas a se rebelarem contra "inimigos internos", além de celebrar o período de regime militar.  

O requerimento é do tucano Aloysio Nunes (PSDB-SP), que é também presidente da comissão. O senador quer que o Ministro da Defesa confirme se as declarações, que foram divulgadas pelo historiador José Murilo de Carvalho em artigo no jornal O Globo, são verdadeiras. "Quero saber se as declarações correspondem ao que o general disse e se o ministro entende que isso é compatível com a disciplina e os regulamentos primários do Exército", explicou Nunes. 

De acordo com o artigo, o general Antonio Hamilton Martins Mourão teria dito, sobre a abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff , "que ainda tínhamos muitos inimigos internos, mas que eles se enganavam achando que os militares estavam desprevenidos. E desafiou: 'Eles que venham'." As declarações teriam sido feitas em 25 de agosto. 

Ainda segundo o artigo, em outra oportunidade, o general celebrou o aniversário da intervenção militar no Brasil e comemorou o período em que o Exército "impediu que o País caísse nas mãos da escória moral que, anos depois, o povo brasileiro resolveu colocar no poder".

Aloysio Nunes se disse "chocado" com as declarações reproduzidas. Para o senador, o militar deve ter sido motivado por indignação com eventos recentes relacionados à corrupção no governo. Mas condenou a atitude. "É claro que isso gera uma revolta geral com todos, não apenas os militares. Mas não é razão para um militar expor, especialmente em uma cerimônia pública, um ponto de vista como esse." 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.