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Comissão da Verdade entra em maio em fase decisiva

LEONENCIO NOSSA - Agência Estado

02 Abril 2014 | 20h 49

A Comissão Nacional da Verdade entrará no próximo mês na sua fase decisiva. Criado há quase dois anos para investigar crimes cometidos pelo Estado de 1946 a 1988, o grupo ouvirá em sessões públicas, nos dias 13 e 27 de maio, em Brasília e no Rio de Janeiro, oficiais que combateram, nos anos 1970, a Guerrilha do Araguaia, movimento armado de esquerda mais estruturado do tempo da ditadura militar.

Um dos depoimentos mais aguardados é do oficial da reserva do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, nome mais conhecido da repressão no Araguaia. Ele é o único militar que até hoje divulgou documentos que confirmam o fuzilamento de prisioneiros políticos, com os nomes das vítimas. No Araguaia, 41 guerrilheiros foram presos e depois executados por ordem da cúpula do regime militar. Pela versão antiga das Forças Armadas, os guerrilheiros morreram em combates na mata, em confrontos em que estavam armados.

Os convites para depoimentos na comissão ainda não foram encaminhados aos agentes do regime militar, o que deve ocorrer nas próximas semanas. No dia 13 de maio, a comissão deverá ouvir no Rio de Janeiro oficiais da reserva que moram na cidade. Depois, no dia 27, será a vez do grupo ouvir os agentes que residem em Brasília. Procurado para comentar a decisão do grupo, Curió confirmou presença. "Devo comparecer. Afinal, a comissão é um órgão oficial criado pelo governo", disse.

O depoimento de Curió na comissão é aguardado desde que o grupo foi instalado pela presidente Dilma Rousseff em maio de 2012. Até agora, o agente da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-CODI, em São Paulo, na década de 1970, foi o único nome de expressão da ditadura ouvido em sessão pública. Ustra prestou depoimento em maio do ano passado. Antes de responder as perguntas, ele chegou a apresentar habeas corpus para ficar em silêncio. Não será o caso de Curió.

A Guerrilha do Araguaia começou a ser montado pelo PCdoB, em 1966, na região do Bico do Papagaio, no Sudeste do Pará e Norte de Goiás, hoje Tocantins. Só a partir do AI-5, instrumento que recrudesceu a repressão da ditadura, a guerrilha ganhou número suficiente de integrantes. Cerca de cem guerrilheiros, geralmente estudantes que fugiam do cerco da ditadura nas cidades, foram para o Araguaia. Em poucos anos, a guerrilha montou uma rede de apoio com 250 moradores da região, entre barqueiros, comerciantes e trabalhadores de castanhais. Os guerrilheiros eram comandados pelo ex-deputado federal Maurício Grabois.

Agentes do Centro de Informações do Exército, o antigo CIE, atualmente CIEx, do Exército descobriram a presença de guerrilheiros na selva no começo de 1972. Após duas operações fracassadas de tropas fardadas, a cúpula do Exército organizou uma operação de inteligência, a Sucuri, para dar base a uma ação final. O comando da Sucuri foi entregue a Curió. Em outubro de 1973, uma tropa especial e sem farda desembarcou no Araguaia. Em dezembro do mesmo ano, no Natal, agentes mataram a cúpula da guerrilha, incluindo Grabois. Guerrilheiros ainda sobreviveriam em situações precárias, descalços e quase sem roupas, até o final do ano seguinte.

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