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Com secretários no inquérito do cartel, Alckmin antecipa reforma de gabinete

Carla Araújo - Agência Estado

20 Janeiro 2014 | 17h 37

Governador de São Paulo anunciou nesta segunda que mudanças devem ocorrer em fevereiro; inquérito no Supremo envolve membros do governo estadual

São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou nesta segunda-feira, 20, que a reforma de seu secretariado deverá ocorrer no início de fevereiro. "Provavelmente será no início de fevereiro, mas a data ainda não está definida", afirmou, durante a coletiva de imprensa em que anunciou o programa de metas para a segurança pública do Estado.

Segundo Alckmin, a data para a reforma é "a da lei, que é dia 5 de abril, seis meses antes da eleição", disse. "Nós vamos antecipar essa data", disse, lembrando que quando foi candidato em 2002, a substituição dos secretários aconteceu no dia 20 de janeiro.

Alckmin não adiantou os nomes dos secretários que devem deixar os cargos. O governo de São Paulo tem quatro secretários citados nas investigações sobe a formação de cartel no setor de trens e metrô.

Depoimento do ex-diretor da Siemens, Everton Rheinheimer, revelado pelo Estado em novembro, aponta o chefe da Casa Civil de Alckmin, Edson Aparecido (PSDB)e os secretários José Aníbal (Energia), Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico)como envolvidos no esquema.

Segundo Rheinheimer, os quatro estariam envolvidos com a Procint, empresa de consultoria do lobista Arthur Teixeira que é apontada pelo Ministério Público e pela PF como suspeita de intermediar propina a agentes públicos.

Caso Alston. Após o anúncio da antecipação da reforma do secretariado, Alckmin esquivou-se de questionamentos relacionados às denúncias de suborno envolvendo a Alstom e funcionários do governo paulista em 1998.

"Quero reiterar nosso compromisso com a investigação, tem que se aguardar o resultado da investigação que está em curso", disse ele, destacando que espera que essa conclusão aconteça "o mais rápido possível". "Isso é fato ocorrido há 16 anos", disse.

O governador também não comentou diretamente sobre o então secretário de Energia Andrea Matarazzo, atual vereador, que teve seu nome envolvido no escândalo. "Você tem uma denúncia, que nós entendemos que precisa ser apurada e investigada com rapidez", disse.

A edição desta segunda-feira, 20, do jornal Folha de S. Paulo denuncia que membros da Secretaria de Energia e três diretorias da Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE) receberam suborno da Alstom para que a empresa francesa conquistasse, em 1998, contrato de US$ 45,7 milhões com a estatal na gestão de Mário Covas (PSDB). A informação está em documento apreendido na sede da Alston na França, que traz detalhes da divisão e do caminho do dinheiro.

Questionado se o governo não deveria investir mais em investigações para tentar coibir irregularidades, Alckmin destacou a existência da Controladoria e da Corregedoria do Estado. "Mas tem dados que ficamos sabendo até pela imprensa", ponderou. "O doutor Gustavo Úngaro (corregedor-geral) está 24 horas debruçado sobre isso", disse o governador.