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Com Marina na vice, Eduardo Campos prega fim da polarização entre PT e PSDB

Erich Decat, Daiene Cardoso e Eduardo Bresciani

14 Abril 2014 | 19h 46

Ex-ministra diz que vai percorrer o Brasil 'lado a lado' com o pré-candidato do PSB ao Planalto

Integrantes do PSB e da Rede deram início nesta segunda-feira à pré-campanha presidencial de Eduardo Campos. De olho na Lei Eleitoral, que proíbe a realização de campanha até julho, o encontro foi batizado como um ato "político-cultural", mas serviu na prática para confirmar Campos na cabeça de chapa e Marina na vice. Em discurso durante o evento, Eduardo Campos lembrou seu histórico político e introduziu o mote de necessidade de renovação, de "novo pacto social" e de fim da "polarização" entre PT e PSDB.

"[Na campanha de 2010] ou era tudo ou nada. Eu presto tudo e você não presta nada. Esse debate fez com que o Brasil vivesse em 2010 quase a anulação do processo político", afirmou Campos. O ex-governador de Pernambuco disse ainda que, na última campanha presidencial, houve uma anulação do debate político, que "descambou" para temas religiosos.

De acordo com Campos, "tem gente escondendo a verdade do povo brasileiro". "Esta chapa vai colocar na oposição o fisiologismo e o patrimonialismo", afirmou. Segundo ele, não é com o "presidencialismo de coalizão" que se fará nada de inovador no Brasil.

Ele também ressaltou em vários momentos a importância da aliança com Marina, que ingressou no partido após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar a criação da Rede em outubro do ano passado. "Nós queríamos que a Rede estivesse pronta em 2013. Ao meu lado, você (Marina), estará no governo", afirmou.

Campos elogiou a postura de Marina, que decidiu se aliar ao PSB. "O Brasil não podia ficar sem alternativa", disse. E lembrou o desempenho da vice nas últimas eleições. "Em 2010, vimos uma mulher com voz mansa e suave fazer sucesso na política", disse.

Campos também anunciou que deverá percorrer o País nos próximos dias. "O povo brasileiro quer ser escutado. Vamos andar o Brasil mais para ouvir do que para falar, ouvir com coração as angústias, se colocar ao lado de um povo que, animado, pode fazer mudanças que muitos duvidam", afirmou. Segundo Campos, o povo brasileiro foi "perdendo a fé de que a vida pode melhorar no futuro", mas "quem crê neste País não quer ver o povo desanimar".

Sem citar nomes, o pré-candidato mandou recados aos adversários ao dizer que não teme o confronto, mas vai fazer um "debate respeitoso, de ideias". "Vamos para cima fazer o debate que sabemos fazer. Os que tremem hoje com a intolerância, com a arrogância, com provocação, fiquem tranquilos porque vamos passar firmes com as nossas ideias. Eles sabem que nós sabemos fazer, e vão ver que fazemos com muita firmeza esse debate", afirmou. "O Brasil, mais que um gerente, quer uma liderança que construa."

O socialista também aproveitou o evento para criticar a atuação do governo na gestão da Petrobrás, alvo de investigação por parte do Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União e da Polícia Federal. Uma CPI também pode ser instalada no Congresso para investigar a estatal. "Não vamos permitir que a Petrobrás se transforme em caso de polícia", ressaltou. "Um País não pode ver a Petrobrás perder valor e achar que não houve nada de mais." Campos também disse que não vai permitir que a Eletrobras seja desmontada.

De forma indireta, Campos também fez críticas ao governo ao dizer que "tem muita gente escondendo problemas para que passe a eleição", "colocando problemas debaixo do tapete". Ele assegurou ainda que os programas sociais criados pelos governos anteriores deverão ser mantidos. "É preciso acabar com o terrorismo eleitoral sobre o fim dos programas sociais." O pré-candidato acenou com uma ampliação dessas políticas. "Precisamos ampliar as políticas sociais e torná-las mais efetivas. É preciso incluir milhões de brasileiros que sequer têm direito ao Bolsa Família." Campos afirmou ainda que "o processo de políticas públicas inclusivas foi estancado desde 2010."

No discurso, Campos também criticou a gestão econômica do atual governo. "O Brasil desses últimos três anos perdeu o rumo estratégico", disse. "Os problemas que temos na economia são de confiança, de credibilidade e de rumo". O socialista também disse que falta visão estratégica na educação e que a sustentabilidade não é um apêndice em seu programa de governo.

No evento também foram apresentados alguns princípios de campanha eleitoral do PSB que deverão ser propagados pelos próximos meses. Entre eles, está a ampliação da participação da sociedade no debate e nas decisões do Estado, assegurando a transparência na gestão pública, o avanço nas conquistas econômicas e sociais obtidas nos últimos 20 anos e a criação de bases para um ciclo de desenvolvimento sustentável do País. O encontro também contou com a participação de lideranças do PPS, do PPL e artistas.

Segundo integrantes da cúpula do PSB, após o lançamento da pré-campanha realizado, a ideia é intensificar as ações de comunicação por meio das redes sociais, rádios e televisão, para que Eduardo Campos se torne mais conhecido entre os eleitores.

O dramaturgo Ariano Suassuna também falou no evento sobre os próximos desafios de campanha. "Sei que Marina vai ajudar muito. A gente precisa mostrar quem é Eduardo Campos o que ele faz, e como ele faz. Com essa alegria e esperança eu apoiei o Eduardo Campos em 2006 [na campanha ao governo de Pernambuco]. Quando a gente começou a jornada, ele tinha 4% nas pesquisas e terminou o governo com 65%", ressaltou.

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