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Cláusulas omitidas de Dilma são irrelevantes, diz ex-diretor da Petrobrás

Eduardo Bresciani - O Estado de S. Paulo

16 Abril 2014 | 18h 00

Em depoimento na Câmara, Nestor Cerveró, autor do parecer que embasou a decisão de compra da refinaria de Pasadena, afirma que não quis ‘enganar ninguém’ e defende o investimento

Brasília - (atualizado às 22h31) Em depoimento nesta quarta-feira, 16, na Câmara dos Deputados, o ex-diretor da área internacional da Petrobrás Nestor Cerveró classificou como irrelevantes as duas cláusulas omitidas por ele no resumo técnico que embasou a decisão do Conselho de Administração da estatal de apoiar a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.

A hoje presidente da República Dilma Rousseff comandava o conselho em 2006, quando o negócio foi autorizado, e sustenta que só apoiou a compra de 50% da refinaria porque não sabia das cláusulas Put Option, que obrigava a Petrobrás a comprar a outra metade da refinaria em caso de desentendimento com a sócia Astra Oil, e Marlim, que garantia lucro mínimo aos belgas mesmo que o negócio não desse lucro.

No depoimento de cinco horas, Cerveró também rebateu a avaliação feita anteontem ao Senado pela presidente da Petrobrás, Graça Foster, de que a investida "não foi um bom negócio" e defendeu a compra.

Cerveró relatou que a compra começou a ser negociada em fevereiro de 2005 por iniciativa da Astra Oil. Descreveu as negociações feitas até a definição da diretoria da Petrobrás no dia 2 de fevereiro de 2006 pela compra de metade do empreendimento por US$ 359,2 milhões.

No dia seguinte o tema foi levado ao Conselho de Administração e aprovado por unanimidade. O ex-diretor afirmou que o contrato e vários outros documentos estavam à disposição da diretoria, mas esquivou-se de responder se essas informações estavam acessíveis aos conselheiros.

"Não houve nenhuma intenção de enganar ninguém", afirmou. Em declaração logo após desencadeada a crise, o então advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, disse que o ex-diretor havia enviado todas as informações, incluindo as cláusulas polêmicas, ao conselho.

O fato de o ex-diretor contradizer seu antigo advogado frustrou a oposição, que ainda defende a instalação de uma CPI da Petrobrás. Já os governistas afirmam que a compra de Pasadena está explicada, com os depoimentos Graça Foster ao Senado e Cerveró à Câmara.

Negócio. O ex-diretor da estatal afirmou ontem que a aprovação da compra sempre foi condicionada a investimentos para modernizar a refinaria a fim de que ela processasse petróleo pesado, tipo extraído no Brasil.

Ressaltou que a descoberta do pré-sal e a crise financeira internacional em 2008 levaram a Petrobrás a rever prioridades e alterar seu planejamento estratégico. Cerveró atribui a essa decisão de cancelar o investimento o fato de a refinaria não alcançar a performance esperada.

"O que não posso aceitar é essa expressão de que foi uma malfadada operação. Esse projeto não foi completado conforme previsto e aprovado pela diretoria e pelo próprio conselho. A rentabilidade do projeto só se daria no momento que se concluísse projeto de revamp (modernização) para o qual foi aprovado", disse o ex-diretor.

A modernização da refinaria é apontada por ele como o motivo também da crise com a empresa belga. A Astra se recusou a apoiar a Petrobrás no objetivo de duplicar a capacidade de refino aumentando de US$ 1,1 bilhão para US$ 2,3 bilhões, em valores de 2006, o investimento necessário.

Cerveró contou que em setembro de 2007 acompanhou uma comitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Europa, e o então presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, aproveitou a ocasião para reunir-se com dirigentes da Astra.

A empresa belga comunicou, então, a desistência dos investimentos e a Petrobrás começou a negociar o valor para comprar a parte da sócia. Meses depois chegou-se à cifra de US$ 700 milhões. A diretoria da Petrobrás aprovou, mas o Conselho de Administração, não.

Em 2012, após sofrer derrotas na justiça, a empresa brasileira fez um acordo e pagou US$ 820 milhões. Ao total, foram US$ 1,2 bilhões investidos. Em 2005, um ano antes da sociedade com a Petrobrás, a Astra pagou US$ 42,5 milhões pela refinaria, mas a empresa brasileira sustenta que com gastos adicionais o investimento da belga foi de US$ 360 milhões – versão dada por Graça Foster anteontem e corroborada por Cerveró.

Preso. Cerveró minimizou a participação nas negociações de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento que foi preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Segundo ele, a diretoria de Abastecimento atuou porque a área internacional não tem técnicos de todas as áreas.

Cerveró emocionou-se em alguns momentos ao falar de seus 39 anos de atuação na Petrobrás, ao destacar que estava desempregado – ele perdeu o emprego de diretor da subsidiária BR Distribuidora após o início da polêmica de Pasadena, no mês passado. / COLABORARAM RICARDO BRITO E DAIENE CARDOSO

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