Ciro e denúncia minam indicação do PSB

Ex-deputado Fernando Bezerra Coelho, cotado para Integração Nacional, pode não ser mais escalado para integrar equipe de Dilma

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2010 | 23h00

 

A entrada do deputado Ciro Gomes (PSB) na equipe da presidente eleita, Dilma Rousseff, pode provocar mudanças de última hora no desenho do novo ministério. O ex-deputado Fernando Bezerra Coelho, cotado para ocupar a pasta da Integração Nacional, mas alvo de denúncia de corrupção, pode não ser mais escalado.

 

"Depois que entrou o Ciro, o nome do Fernando deixou de ser tão certo", admitiu Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Dificilmente o PSB terá três ministérios", emendou. Na definição de Carvalho, que ocupará a Secretaria-Geral da Presidência no governo Dilma Rousseff, a montagem do ministério parece um jogo de "resta um".

 

Bezerra Coelho é acusado de ter orientado o pagamento de mesada a líderes de associações de bairros e o repasse de dinheiro a um vereador, quando era prefeito de Petrolina (PE), segundo o jornal 'Folha de S. Paulo'. Carvalho, porém, negou que a possível não escalação de Bezerra Coelho seja por causa da denúncia: "Temos de avaliar melhor isso."

 

Ciro, por sua vez, é citado tanto para ocupar a Integração Nacional como a nova Secretaria de Portos e Aeroportos. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, voltou a ser cotado para a pasta da Saúde.

 

Reações. O presidente do PSB e governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos, tratou como "armação" e "tentativa de extorsão" a denúncia contra Bezerra Coelho. Em rápida entrevista no Recife, antes da sua diplomação, ele destacou que o aliado tem "larga folha de serviços prestados a Pernambuco, uma vida pública honrada".

 

Campos frisou que a "armação" não muda "absolutamente nada", referindo-se aos planos do PSB em relação a ministérios. Para ele, a acusação não inviabiliza o nome de Bezerra Coelho, que é seu secretário de Desenvolvimento Econômico. Campos afirmou que a acusação é "grosseira", uma "fraude explícita".

 

Bezerra Coelho, também presente ao evento, avisou que na próxima semana vai entrar na Justiça comum, em Petrolina, com ação por crime de calúnia, difamação e injúria contra o autor das denúncias, Paulo Lima. "Não tem nenhum fato novo nesta denúncia", garantiu.

 

Em nota, o advogado de Bezerra Coelho, Ademar Rigueira, acusa Lima, que presta serviços a prefeituras, de fraudar documentos para incriminar o ministeriável. Para ele, o objetivo era extorquir dinheiro do seu cliente.

 

"A fraude é grosseira – a assinatura de Fernando, rasgada de documentos oficiais, foi acrescentada com recados que não foram produzidos pelo caluniado, fato que será comprovado após a realização de exames grafotécnicos já solicitados", diz o advogado.

 

Para ele, Lima prestou depoimento "calunioso" ao Ministério Público Federal.

 

(Colaborou Angela Lacerda)

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