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Mensalao

Cidadania italiana não evita extradição de Pizzolato, diz MP de Bolonha

Jamil Chade, enviado especial

23 Abril 2014 | 11h 13

Para a promotoria da Itália, decisão pela transferência para o Brasil independe do fato de o ex-diretor do Banco do Brasil ter cidadania

BOLONHA - O Ministério Público Italiano considera que o fato de o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato ter a cidadania italiana "não é uma condição suficiente" para impedir que ele seja extraditado para cumprir uma pena de prisão, sempre que o processo tenha ocorrido de forma correta. Pizzolato foi condenado no julgamento do mensalão a 12 anos e 7 meses de prisão.

Nesta quarta-feira, 23, o Estado revelou que o MP italiano recomendou a extradição de Pizzolato. O caso será agora analisado pelos juízes do Tribunal de Bolonha em uma audiência que deve ocorrer na segunda metade de maio.

O brasileiro foi condenado no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2012 mas fugiu para a Itália ainda no segundo semestre de 2013 com um passaporte falso de um irmão morto há mais de 30 anos. Em fevereiro deste ano, ele foi descoberto na casa de um sobrinho na cidade de Maranello, no norte da Itália, e levado para a prisão de Módena.

No início de abril, o Ministério Público italiano encaminhou ao Judiciário o pedido de extradição, chancelando a posição das autoridades brasileiras. No documento, os promotores italianos consideram que Pizzolato não sofreu um processo político no Brasil, como foi argumentado por ele e por seus advogados.

Pizzolato ainda aposta no fato de que, por ter nacionalidade italiana, pode evitar uma extradição. Mas a avaliação do MP italiano é de que, por si só, o passaporte não serve como uma "forma de proteção a criminosos", caso de fato tenham passado por julgamentos adequados.

Battisti. Se o fato de ele ser italiano não o garante proteção contra uma extradição, outros fatores políticos podem pesar. A decisão final ficará com o Ministério da Justiça do governo do primeiro-ministro Matteo Renzi. Fontes da procuradoria italiana estão certas de que a decisão final sobre o destino de Pizzolato será "política" e que será tomada depois de uma "avaliação do estado atual das relações entre Itália e Brasil".

O Ministério Público da Itália considera que o caso de Cesare Battisti, que recebeu asilo político no Brasil, pode ser um "obstáculo político real" numa eventual decisão de Roma de extraditar Henrique Pizzolato. Battisti foi julgado e condenado na Itália por "atividade terrorista" e por mortes. Fugiu para o Brasil, onde alegou que havia sido alvo de um "julgamento político". Brasília acabou dando ao italiano o status de refugiado, o que deixou parte importante dos partidos em Roma inconformados com a postura do governo brasileiro.

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