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Eleições 2014

Cid Gomes reage ao que chama de 'chantagem' do PROS

LUCIANA NUNES LEAL, ENVIADA ESPECIAL - Agência Estado

08 Maio 2014 | 20h 29

Um dos principais líderes do PROS, o governador do Ceará, Cid Gomes, reagiu nesta quinta-feira e chamou de "chantagem" o movimento de dirigentes e parlamentares do partido que exigem a saída do ministro Francisco Teixeira, da Integração Nacional, e ameaçam apoiar o candidato do PSB a presidente, Eduardo Campos, se não forem atendidos.

Teixeira é ligado a Cid, aliado da presidente Dilma Rousseff que deixou do PSB por discordar da candidatura de Campos e para participar da campanha de reeleição da petista. Cid negou que tenha indicado o ministro e disse que foi apenas consultado por Dilma sobre a escolha.

O líder do PROS na Câmara, Givaldo Carimbão (AL), levou o pedido de saída do ministro ao chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. "Abomino qualquer tipo de chantagem. Saí do PSB porque o partido resolveu ter candidatura à Presidência e eu não concordei. Minha condição (para entrar em outro partido) era o apoio a Dilma. E o PROS garantiu apoio a Dilma. O líder do PROS alega ter desconforto da bancada, mas a história que sei é que o líder não representa o sentimento da bancada. Ele está defendendo interesse dele mesmo", disse Cid.

O governador desembarca terça-feira (13) em Brasília para uma reunião com o comando do partido. Os rebelados do PROS têm reclamado de falta de atenção por parte do ministro da Integração e também de que Cid é o único interlocutor do partido com Dilma. "É ciúme? Estão incomodados porque sou amigo da Dilma? Que história é essa? Todo dia tem futrica. Eu sou inimigo do PROS? Terça-feira vamos ter uma conversa olho no olho", afirmou o governador. "Não tenho ministério, não quero ministério. Quero apoio e parceria do governo federal para minhas ações aqui e tenho tido", reagiu.

Hoje, Cid ligou para o presidente do PROS, Eurípedes Junior, e se queixou não só do movimento pela saída de Francisco Teixeira como da declaração do vice-presidente nacional do partido, senador Ataídes Oliveira (TO), que defendeu apoio ao pré-candidato do PMDB ao governo do Ceará, senador Eunício Oliveira. O PMDB deixou na semana passada o governo de Cid Gomes, que ainda não escolheu o candidato do PROS à sua sucessão. "O vice-presidente do partido dá opinião em outro Estado? Que diabo é isso? Pessoas do meu partido estão fazendo ataques grosseiros. Falei com o presidente do partido da minha inquietação e decepção", disse o governador.

Na entrevista, o governador criticou partidos aliados de Dilma. "O problema desse arco de forças do Brasil são concessões demais, além da conta, o que trouxe a pecha de fisiologia e corrupção", afirmou Cid sobre a base de Dilma. O governador atacou a ala do PR que lançou o movimento pela volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O PR é um ajuntamento de oportunistas, salvo honrosas exceções. Quer um ministério para fazer negócio. A Dilma reage a isso, finca o pé, escolheu um quadro sério do partido (César Borges, ministro dos Transportes). A briga do PR é porque a Dilma quer moralizar. Essa é uma das partes boas da Dilma. E o PMDB a gente sabe como é", afirmou.

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