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Cid Gomes discute sucessão no Ceará com PMDB

Atualizado às 12h40 - José Roberto Castro, da Agência Estado

28 Março 2014 | 07h 45

Disposição de apoiar candidatura do irmão Ciro Gomes ao Senado aproxima PROS do senador peemedebista Eunício Oliveira, mas PT mantém disposição de indicar nome para vaga do Congresso

São Paulo - O governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), e o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) se encontram nesta sexta-feira, 28, em Fortaleza, para tratar do cenário eleitoral no Estado. As declarações recentes de Cid de que poderia deixar o cargo antes de 5 de abril - para seu irmão Ciro Gomes (PROS) ter condições de se candidatar ao Senado - abriu a possibilidade de entendimento entre a legenda e o PMDB. O principal partido aliado do governo federal faz questão de indicar o senador Eunício ao governo, mas o PT não abre mão de lançar o ex-líder José Guimarães (PT) como candidato a senador.

Com apenas duas vagas cobiçadas na chapa majoritária - uma para o Senado e outra para o governo - e três partidos na disputa, as conversas devem se estender por algumas semanas. Questionado pelo Broadcast Político, o serviço em tempo real da Agência Estado, sobre qual partido abriria mão das pretensões eleitorais, o presidente do PT no Ceará, Francisco de Assis Diniz, foi direto: "Não será o PT".

Nesta sexta, Cid e Eunício voltam a se encontrar depois de meses sem diálogo consistente. Após o período de distanciamento, interrompido na semana passada quando a presidente Dilma Rousseff (PT) foi ao Ceará, membros do PMDB local veem boas chances de que as negociações terminem em acordo nas eleições de outubro. "Sou um conciliador. Nós temos uma aliança no Ceará, vou conversar com o governador como um aliado", diz o senador Eunício Oliveira.

Francisco de Assis Diniz comemora a reaproximação, mas garante que seu partido mantém as pretensões para a chapa majoritária e não aceita a vaga de vice. "É importante a volta do diálogo entre duas grandes lideranças do Estado. Eram três, quatro meses sem conversar", afirma. "A decisão do diretório é por uma candidatura majoritária, preferencialmente ao Senado", completa.

A versão oficial de Ciro Gomes é que ele não tem a intenção de se candidatar, mas há a vontade do irmão, Cid, de convencê-lo a disputar o Senado. De acordo com a legislação eleitoral, Ciro não pode ser candidato ao Senado se o irmão não deixar o cargo de governador até seis meses antes da eleição. O prazo máximo, portanto, é o próximo dia 5.

A disputa no Ceará é ponto central na relação entre o PT e o PMDB em âmbito nacional. A presidente Dilma sofre pressão para apoiar o candidato do PROS, uma vez que os irmãos Ferreira Gomes romperam com o PSB de Eduardo Campos num ato de lealdade ao governo. Do outro lado, o partido do vice-presidente Michel Temer condicionou o bom relacionamento entre as legendas em todo o País a um apoio do PT à candidatura de Eunício.