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Chefe de gabinete de procurador é exonerada no RJ

FÁBIO GRELLET E LUCIANA NUNES LEAL - Agência Estado

10 Junho 2014 | 20h 21

Luisa Velasco, que há cerca de um ano ocupava o cargo comissionado (sem concurso) de chefe de gabinete do procurador regional eleitoral do Rio de Janeiro, Paulo Roberto Bérenger, foi exonerada nesta terça-feira em função de uma denúncia em que ela e uma ex-sócia (a advogada Valesca Rodrigues) são investigadas por estelionato, falsificação de sinal público, tráfico de influência e formação de quadrilha. Valesca foi presa temporariamente. Por enquanto, a suspeita sobre Luisa se refere ao período em que ela ainda não trabalhava no Ministério Público Federal.

A investigação da Polícia Federal constatou que dois médicos, clientes de Valesca, foram induzidos a acreditar que existiam investigações contra eles em órgãos como Ministério Público Federal, Polícia Federal e Polícia Civil. Em razão dessas supostas investigações, eles foram convencidos a pagar a elas por serviços advocatícios que não seriam feitos ou a pretexto de influenciar decisões. Valesca e Luisa atenderam esses médicos no escritório de advocacia.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos endereços comerciais e residenciais de Valesca e de Luisa. Os computadores funcionais de Luisa foram lacrados e serão submetidos a perícia. A prisão de Valesca e os mandados de busca e apreensão foram requeridos pelo Ministério Público Federal à Justiça Federal para facilitar a investigação e localizar outras vítimas do esquema. "Em princípio, os fatos não têm qualquer relação com as funções exercidas por Luisa no Ministério Público Federal, por terem sido anteriores ao seu ingresso no órgão. A prisão da advogada, a exoneração da servidora e a efetivação das buscas permitirão que o Ministério Público e a Polícia apurem os crimes em toda sua extensão", afirmou o procurador da República Sérgio Luiz Pinel Dias, responsável pelos pedidos de prisão e de busca.

Surpresa

O procurador regional eleitoral do Rio, Paulo Roberto Bérenger, soube da investigação que envolvia a assessora de seu gabinete ainda hoje, pouco antes de participar de um workshop com jornalistas e, em seguida, de uma audiência pública com representantes de partidos políticos, candidatos, eleitores e estudiosos de eleições.

Bérenger informou que Luisa Velasco era funcionária comissionada (contratada sem concurso público) há um ano e foi indicada pela procuradora regional eleitoral substituta, Adriana Farias. O procurador informou que a advogada foi exonerada na manhã de hoje e que o computador e o telefone celular funcional usados por ela foram recolhidos para investigação.

Segundo o procurador, há cerca de três meses Luisa foi acusada de, antes de ingressar no Ministério Público, ter recebido honorários advocatícios por um serviço não prestado. "Pensei em exonerá-la naquela época, mas mandei levantar todas as certidões, a ficha funcional, e não havia nada contra ela. Por isso a mantive no cargo. Ao longo do período no Ministério Público ela se comportou bem. A informação que eu tive é de que a investigação refere-se ao período anterior à entrada dela no Ministério Público e não há nenhuma relação com a procuradoria eleitoral", disse Bérenger.