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Chance de cassação aumentou, avalia líder do governo sobre André Vargas

O Estado de S. Paulo

09 Abril 2014 | 11h 00

Deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) afirma que voto aberto reduz possibilidade de absolvição e que cabe ao parlamentar decidir se enfrenta julgamento da Câmara ou renuncia

São Paulo - Ao avaliar a situação do deputado licenciado André Vargas (PT-PR), o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou, nesta quarta-feira, 9, que as chances de um parlamentar não ser cassado pela Câmara diminuíram depois que a Casa acabou com o voto secreto nesse tipo de votação. Por isso, avaliou, cabe ao petista decidir se renuncia ao mandato ou enfrenta o processo no Congresso.

"Quando você é julgado pelos seus pares, naturalmente é um julgamento político. Para o bem e para o mal. Com o voto aberto no caso de cassações, a chance de alguém não ser cassado diminui bastante", afirmou Arlindo Chinaglia em entrevista à Rádio Estadão.

André Vargas pediu licença do cargo nessa segunda, 7, após ter seu nome ligado ao doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal sob acusação de envolvimento com esquema de lavagem de dinheiro. Nesta quarta, o Conselho de Ética pode decidir se abre processo contra o parlamentar por quebra de decoro. Se aberto, após tramitar na Casa, o processo chegará ao plenário da Câmara e caberá aos deputados decidirem em votação aberta se cassam ou não o mandato de Vargas.

O próprio PT já defende, nos bastidores, a renúncia de André Vargas. O vice-líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (RS), disse nessa terça-feira que o deputado deveria renunciar à vice-presidência da Casa, cargo que Vargas ocupa. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista a blogueiros, defendeu que o petista esclareça o caso para o PT não "pagar o pato".

"Se ele acredita que vai fazer a defesa dele próprio, vai ter explicações e vai conseguir convencer o Conselho de Ética, mas principalmente o plenário da Câmara, a tendência é ele ir nessa batida para provar sua inocência", diz Chinaglia. "É difícil qualquer um, inclusive eu, dar opinião do que ele deve ou não deve fazer. Só ele sabe dos fatos e cabe a ele tomar a decisão", complementa.

Na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo revelou que Vargas usou um jatinho pago pelo doleiro para viajar em férias com a família à João Pessoa (PB). A viagem teria custado R$ 100 mil. Nesta semana, a revista Veja revelou trocas de mensagens nas quais Youssef prometia "independência financeira" a Vargas com a intermediação de um contrato do laboratório Labogen com o Ministério da Saúde.

Vargas afirmou ser amigo de Youssef e desconhecer os negócios do doleiro. Disse ainda que tomou a decisão de se licenciar do cargo para se defender e que é alvo de "massacre midiático", fruto de "vazamento ilegal de informações".