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CGU vai aprofundar investigações sobre a Petrobras

NATÁLIA DEVENS - Agência Estado

03 Abril 2014 | 15h 53

O coordenador-geral de responsabilização de Entes Privados da Corregedoria Geral da União, órgão ligado à Controladoria Geral da União (CGU), Flávio Dematté, afirmou que o relatório elaborado pela Comissão Interna de Apuração da Petrobras para investigar os contratos da Petrobras com a empresa holandesa SBM Offshore não será confrontado, e sim servirá de ponto de partida, nas investigações da sindicância instaurada pela CGU e publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 3. O coordenador foi um dos palestrantes do VI Congresso Nacional dos Delegados de Polícia Federal, que está sendo realizado esta semana em Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo.

Dematté ressaltou que a comissão de investigação do órgão, da qual ele não faz parte, foi formada nesta quarta-feira, 2, pelo ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, e que o relatório final da sindicância poderá dar ensejo a um processo de natureza punitiva, tanto para os empregados envolvidos, ou para as pessoas jurídicas.

"O relatório apresentado pela Petrobras foi um trabalho bem feito, mas dentro das limitações que a estatal possui. Iremos aprofundar os trabalhos para chegar a novas informações. Inclusive entraremos em contato com outros órgãos do poder executivo federal que podem auxiliar, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI)", afirmou.

O coordenador não descartou que a CGU também vá instaurar outra sindicância para investigar o caso da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, mas afirmou que a avaliação deve ser feita somente após a divulgação do relatório elaborado pela Petrobras, assim como ocorreu no caso da SBM. A comissão interna da companhia deve se manifestar até a primeira quinzena de maio.

Também participou do evento como palestrante o delegado federal Isalino Giacomet, que atualmente é o coordenador-geral de Recuperação de Ativos do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça. Ele alegou que o órgão não tem competência para dar esclarecimentos sobre os casos envolvendo a Petrobras, e que respeita o sigilo dado pelos órgãos de investigação.

Nos bastidores do evento, comentou-se que o delegado Márcio Anselmo, que comanda as investigações dos contratos da Petrobras com a SBM Offshore, não compareceu ao congresso pois a operação teria novos desdobramentos e seriam abertos novos inquéritos em Brasília nos próximos dias.