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Cerveró diz que repassou todos os dados de Pasadena à direção da Petrobrás

Ricardo Brito e Daiene Cardoso

16 Abril 2014 | 14h 51

A deputados, ex-diretor afirma não ser sua responsabilidade acompanhar o envio do relatório ao conselho da estatal e relata desconhecer o prazo dado ao colegiado para análise das informações

Brasília - O ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró afirmou nesta quarta-feira, 16, que encaminhou todos os documentos referentes à compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), para a diretoria da estatal. Contudo, ele disse que não era sua responsabilidade fazer o encaminhamento da documentação ao Conselho de Administração da estatal. O ex-diretor participa de audiência na Câmara para prestar esclarecimentos sobre a negociação.

"Se foi encaminhado e o Conselho de Administração tomou conhecimento, a responsabilidade não é minha porque não era responsabilidade de cada diretor fazer o encaminhamento", afirmou. Conforme revelou o Estado, a presidente Dilma Rousseff, na época presidente do Conselho de Administração, admitiu não ter tido acesso a cláusulas que embasaram a compra da metade da refinaria de Pasadena, em 2006. A presidente disse que não aprovaria a operação se soubesse de todas as informações.

Mais cedo, o ex-diretor considerou que as cláusulas Put Option (de saída) e Marlim (de rentabilidade do sócio) não têm, na avaliação feita na ocasião, "essa representatividade no negócio". "Não é importante do ponto de vista negocial, do ponto de vista da valorização do negócio, nem uma cláusula nem outra", destacou. Ele disse há pouco que as tais cláusulas constavam do processo de compra, que tinha 400 páginas. Ceveró disse ser fácil afirmar, agora, que o projeto não deveria ter sido realizado. "Se as condições se repetissem, eu faria de novo", destacou.

Aos deputados, Cerveró afirmou também desconhecer quando o conselho teve acesso ao relatório. Segundo ele, era equivocada a afirmação feita pelo seu próprio advogado de que o colegiado recebeu o documento com 15 dias de antecedência. "Essa questão de tempo hábil é muito relativa. É uma coleção enorme de páginas, são milhares de páginas que são colocadas à disposição. Depois de encaminhado para a diretoria, o que vai para o conselho eu não sei", destacou.

O ex-diretor negou que tenha tido intenção de enganar Dilma e ressaltou que o processo de compra foi avaliado por um longo período e foi acompanhado pela direção da Petrobrás.