Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

'Centro-direita se encontra com chances maiores de fragmentação', diz cientista político

Rafael Cortez, da Tendência Consultoria, também rebate a tese de que um outsider pode ser reformista; Um candidato com este perfil, não tem experiência necessária e 'histórico de gestão política multipartidária'

Nathália Fabro, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2018 | 21h54

O campo da centro-direita está fragmentado e deve permanecer assim durante este primeiro semestre. A avaliação é do cientista político da Tendências Consultoria, Rafael Cortez. Ele explica que, diante do cenário eleitoral incerto, os planos de investimento são baixos e o risco político, cada vez mais precificado.

++ Bancos internacionais veem estagnação de candidatos 'reformistas'

Cortez rebate ainda a tese de outsiders nas eleições de outubro. Segundo diz, um candidato neste perfil dificilmente conseguirá ser reformista, pois não tem experiência necessária e "histórico de gestão política multipartidária".

Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

Como o sr. avalia o cenário?

Devido ao potencial de diversidade de candidatos, a eleição será marcada por forte incerteza. No atual estágio do quadro eleitoral, a centro-direita ainda se encontra com chances maiores de fragmentação. O trabalho pré-eleitoral é mais complicado para o PSDB com isso, visto que a centro-direita está muito concorrida. As candidaturas vão competir para esse voto. 

As candidaturas de centro-direita têm se mostrado estagnadas. Como analisa isso?

As candidaturas de centro-direita não devem crescer até o final do primeiro semestre. O desempenho de todos nas eleições fica afetado por essa sensação de incerteza. Diante disso, os planos de investimento são baixos. O risco político é cada vez mais precificado. O PSDB, particularmente, ainda não se desassociou da administração Temer, visto que apoiou o impeachment e permaneceu na base aliada por muito tempo. Além disso, teve as denúncias e desdobramentos das investigações. Por exemplo, Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede) e Joaquim Barbosa (PSB) são nomes que despontam e têm distância de investigações recentes.

Como o sr. avalia a possível entrada de Barbosa na disputa presidencial?

Barbosa tem pouca participação em temas de intrigas. Ele dialoga com o eleitor antipetista, tem que adaptar seu discurso econômico para esse eleitorado. Isso deve limitar bastante a capacidade reformista da administração dele. No geral, outsiders têm mais capital político, mas as expectativas são um pouco irreais e frustradas quando chegam em medidas difíceis. Eles apresentam riscos na aprovação de reformas, pois não têm histórico de gestão política multipartidária. 

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