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Centrais gastam R$ 800 mil do imposto sindical para pedir voto contra Serra

Valor foi usado para pagar evento realizado ontem no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, com objetivo de aprovar Agenda da Classe Trabalhadora e pregar a continuidade do governo Lula; das 30 mil pessoas esperadas, apenas metade compareceu

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Roberto Almeida ,
O Estado de S.Paulo

02 Junho 2010 | 08h04

Cinco centrais sindicais - Força, CUT, CGTB, CTB e Nova Central - pregaram na terça-feira, 1º, na assembleia da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em São Paulo, a continuidade do governo Lula e alertaram para um "retrocesso", em clara referência ao pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.

 

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O evento, pago pelo imposto sindical, que desconta um dia de salário ao ano de todos os trabalhadores com carteira assinada, custou pelo menos R$ 800 mil, segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.

 

O objetivo, cumprido, era o de aprovar a Agenda da Classe Trabalhadora, que será entregue aos três presidenciáveis. São quase 300 demandas a serem cumpridas pelo vencedor das eleições.

 

Ao todo, R$ 135 mil foram empenhados para o aluguel do Estádio do Pacaembu e R$ 35 mil para o pagamento da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo para coordenar o trânsito. O restante - R$ 630 mil - foi para a infraestrutura, como palco, som e transporte de militantes.

 

De acordo com o deputado, somente a Força Sindical pagou 500 passagens de avião para dirigentes virem das regiões Norte e Nordeste do País. As demais centrais também admitiram ter pago por transporte aéreo. A CUT disse que não divulgaria dados e valores de logística.

 

Mesmo com o investimento pesado das centrais para um megaevento, o público foi apenas a metade do esperado. Segundo a Guarda Civil Metropolitana, 15 mil compareceram, metade dos 30 mil esperados.

 

A reserva inicial, de acordo com as centrais, era de 13 mil lugares para militantes da CUT e 11 mil para os da Força. Os demais seriam divididos em blocos menores entre as outras três centrais. No entanto, o Pacaembu teve uma manhã e um início de tarde com muitos lugares vazios.

 

Microfone aberto. Os militantes e dirigentes sindicais, vindos de todos os Estados do País, receberam lanches na porta do estádio e ouviram dezenas de discursos de sindicalistas - a maioria para evitar o "retrocesso", alguns citando nominalmente a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros em defesa aberta da pré-candidata petista Dilma Rousseff.

 

O presidente do PT paulista, Edinho Silva, assumiu o microfone falando "em nome do companheiro José Eduardo Dutra", presidente do PT nacional. Delineou o cenário eleitoral, com rasgados elogios a Lula, e disse que "é preciso avançar ainda mais e aprofundar as mudanças do governo".

 

"O Brasil não pode ter retrocesso", afirmou, em referência ao governo tucano. "Não pode conviver novamente com o desmanche do Estado. Não pode conviver novamente com a submissão de seus interesses. Se vamos avançar ou não, isso cabe a cada um de nós."

 

Empenhado na campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao Palácio dos Bandeirantes, Edinho afirmou ainda que "é preciso fazer no Estado de São Paulo o mesmo que o presidente Lula fez no Brasil". "É hora de os trabalhadores mais uma vez mostrarem sua força. O avanço só depende de nós", finalizou.

 

Esvaziamento. O que era para ser o ápice da Conclat - a aprovação da Agenda do Trabalhador, documento chave do evento - acabou de maneira esvaziada. Boa parte do público já havia deixado o Estádio do Pacaembu antes mesmo dos discursos dos presidentes das centrais.

 

"Companheiros, acho que hoje, embora muita gente já saiu do estádio, nós temos que comemorar aqui esta unidade", afirmou Paulinho, na abertura de seu discurso, já no início da tarde.

 

A fala do presidente da Força foi "mais mansa" - como ele mesmo definiu -, em comparação à do dia anterior, em que aplicou uma saraivada de golpes em Serra diante de uma plateia composta por movimentos sociais, no centro de São Paulo. E saiu admitindo uma multa eleitoral.

 

Dessa vez, Paulinho concentrou seus esforços "nas vitórias do trabalhador" e "nas negociações com o presidente Lula". "Essa conferência tem um objetivo muito claro de entregá-la (a Agenda da Classe Trabalhadora) aos candidatos à Presidência. Dizia a grande imprensa nacional que iríamos fazer aqui um dia de política. Estamos hoje aprovando uma pauta, de um modelo de Brasil que nós queremos", esquivou-se Paulinho, para em seguida cantar o Hino à Bandeira.

 

Artur Henrique, presidente da CUT, que disse antes de discursar que "manteria a língua afiada", foi mais incisivo. "O maior desafio é não permitir o retrocesso, que nós tenhamos em nosso País a volta daqueles que foram, os responsáveis pela crise", discursou, citando FHC.

 

Raio X

A estrutura da Agenda da Classe Trabalhadora

 

6 eixos estratégicos

Distribuição de renda e mercado interno

Valorização do trabalho e inclusão social

Estado e desenvolvimento ambiental

Democracia e participação popular

Soberania e integração nacional

Sindicalismo e negociação coletiva

 

290 propostas

(As principais)

Descriminalizar o aborto

Aumentar o valor dos benefícios sociais

Implantar o imposto sobre grandes fortunas e heranças

Extinguir o fator previdenciário

Garantir que os recursos do pré-sal sejam usados na área social

Dar a trabalhadores participação em agências reguladoras

Fazer a reforma política

Dar direito irrestrito de greve a servidores públicos

Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais

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