Celso de Mello afirma que Temer tem 'pretensões mais amplas' do que barrar denúncia de Janot

Em curta entrevista, ministro disse também que o julgamento precisa ser objetivo e impessoal

Rafael Moraes Moura, Breno Pires, Beatriz Bulla e Igor Gadelha, de Brasília, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 14h32

BRASÍLIA - Decano no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Celso de Mello afirmou nesta quarta-feira ter a impressão de que o presidente Michel Temer tem pretensões "mais amplas" do que apenas tentar barrar uma eventual denúncia contra ele apresentada pelo procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, ao pedir à Corte a suspensão do uso de provas obtidas por meio da delação premiada dos executivos do grupo J&F.

"Tenho talvez a impressão que a pretensão dele seja mais ampla. Mas vamos ver. Vai ser interessante", afirmou o ministro em rápida entrevista ao chegar ao Supremo para participar do julgamento do pedido de suspeição de Janot feito pela defesa do presidente da República, que também pode solicitar aos ministros a suspensão do uso das provas da delação pela PGR, até que a situação do acordo de colaboração premiado seja resolvida pela Justiça.

O decano disse ainda não lembrar de nenhuma jurisprudência na Corte de julgamento de pedido de suspeição de um procurador-Geral da República, como feito pela defesa de Temer. Mesmo assim, defendeu a análise do pedido. "Houve uma arguição de suspeição. Cabe ao Supremo Tribunal Federal, então, uma vez provocado, responder, dar uma resposta jurisdicional", declarou.

O ministro afirmou também que o julgamento precisa ser objetivo e impessoal. "O importante é ter presente a velha advertência aristotélica, segundo a qual o direito nada mais é que a razão escolhida de paixão. Portanto, há de ser um julgamento impessoal, objetivo", declarou Celso de Mello.

 

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