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Castro privilegia agenda política na Saúde

- Atualizado: 31 Janeiro 2016 | 05h 00

Mesmo com o País enfrentando uma crise na área, ministro da pasta dispensa tempo para receber prefeitos de sua base eleitoral no Piauí

Castro participa de reunião, ao lado do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, com fabricantes de repelente

Castro participa de reunião, ao lado do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, com fabricantes de repelente

BRASÍLIA - Mesmo em meio a uma batalha contra o mosquito da dengue e do zika vírus, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, manteve um atendimento especial a prefeitos do Piauí, seu Estado de origem, desde que chegou à pasta em outubro. Com pautas sob o título “ações de saúde”, Castro recebeu individualmente 40 prefeitos. Desse total, 26 comandam cidades piauienses. Até um vereador e um deputado estadual tiveram uma audiência exclusiva com o ministro.

Segundo aliados, Castro planeja aproveitar a visibilidade do cargo de ministro da Saúde para retomar o projeto de se tornar governador do Piauí ou buscar uma composição para concorrer ao Senado. Licenciado da Câmara, ele já foi eleito deputado federal por cinco oportunidades e é o presidente do diretório do PMDB no Estado. Apesar da vontade de permanecer no cargo e a disposição em ouvir pedidos de parlamentares, Castro tem irritado a presidente Dilma Rousseff e outros ministros por causa de suas declarações desastradas.

A última delas ocorreu na sexta-feira retrasada ao apresentar o Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes e à Microcefalia para gestores e profissionais da saúde em Teresina, capital do Piauí. “Esse mosquito (que transmite a dengue) está convivendo com a gente há pelo menos uns 30 anos e, infelizmente, nós estamos perdendo a batalha para ele”, disse Castro.

Dois dias após a frase, o ministro foi convocado para uma audiência com o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. Na conversa, foi pedido a Castro que evitasse dar entrevistas.

O ministro assumiu a pasta da Saúde em outubro, a partir de uma indicação do deputado Leonardo Picciani (RJ), líder do PMDB da Câmara que tem atuado em defesa do governo no Congresso, especialmente quanto à ameaça de impeachment da presidente. Na terça-feira, o partido saiu em defesa de Castro diante do desgaste que ele vem sofrendo nos últimos dias. O vice-presidente Michel Temer, que comanda o PMDB nacionalmente, afirmou que o ministro “merece” continuar à frente da pasta. Temer evitou comentar as declarações recentes do titular da Saúde.

‘Sinceridade’. Presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, o deputado estadual Themístocles Filho (PMDB) foi um dos políticos do Estado que tiveram audiência individual com Castro. “Fui tratar de melhorias para o hospital universitário e para as regionais de saúde”, disse. “Mas o ministro sabe tudo de cor e salteado.”

Themístocles Filho defende a “sinceridade” das declarações de Castro. “Com o jeito sincero dele, ele alertou todo o governo. Rapaz, aqui no Piauí é de um jeito. Brasília é de outro jeito. Ele está se adaptando”, disse ao Estado. “No Piauí, alguém fala de um jeito e o povo não reclama. Aí, no nível nacional, se o cidadão falar a verdade demais, a pessoa reclama”, afirmou o deputado estadual, que é o presidente do PMDB em Teresina.

Apesar de discordar de uma candidatura de Castro à prefeitura da capital piauiense, ele admite que o atual ministro da Saúde ganhará projeção na pasta para concorrer ao governo ou ao Senado. “Não tenha dúvida nenhuma. É claro que o ministério lhe dá visibilidade. Mas a eleição está muito longe”, disse Themístocles Filho.

Vereador do município piauiense de Água Branca pelo PMDB, Ivon Lendl teve o privilégio de ser recebido em audiência individual com Castro. Ele contou que pediu ao ministro a liberação de recursos para a compra de equipamentos para o Hospital Municipal Senador Dirceu Mendes Arcoverde. Lendl admitiu que já pediu votos para Marcelo Castro na cidade.

Argumento. A assessoria de imprensa do ministro da Saúde nega que Marcelo Castro tenha priorizado o atendimento a prefeitos do Piauí e usa como argumento o total de audiências. “As agendas com representantes do Estado correspondem a 3,8% do total da audiências”, diz a assessoria. Em relação à pauta dessas audiências, o Ministérios afirma que “os assuntos tratados são os mais diversos, tendo em vista a própria diversidade da saúde”.

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