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Carvalho prega mobilização do PT pela reforma política

ELDER OGLIARI - Agência Estado

17 Maio 2014 | 17h 25

O secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, disse que é "fundamental" que o PT e sua militância se engajem na luta pela reforma política, durante palestra para 50 participantes do Fórum Regional Ideias para o Brasil, da Fundação Perseu Abramo, neste sábado, em Porto Alegre (RS). "Uma das medidas dela (da reforma política) é de salvação de nosso partido, que é o fim do financiamento privado empresarial de campanha e a introdução da lista coletiva", destacou. "Não vejo saída para nosso partido se não conseguirmos reverter esse processo", prosseguiu, referindo-se à manutenção do sistema atual, com doações privadas e voto nominal para o parlamento.

"Esse processo é tão importante que a (presidente) Dilma (Rousseff) disse aos jovens, esses dias, em Brasília, que para realizá-lo temos de fazer um processo semelhante ao das diretas", relatou, comparando a necessidade de mobilização popular pela reforma como a que houve em 1984 pela eleição à presidência da República. Prevendo que "a resistência será tremenda", justificou sua posição ao afirmar que "tão forte quanto a resistência à questão da democratização dos meios de comunicação é a (resistência à) reforma de um sistema que, se sabe, tem consciência do poder que tem e do risco que tem em abrir mão desse critério econômico para a eleição".

Ao analisar a trajetória do PT no governo, Carvalho reconheceu que o partido e os movimentos sociais foram se adaptando ao aparelho do Estado. "É verdade que inoculamos o novo no velho, mas o velho também se inoculou dentro de nós de maneira duríssima, cada vez mais perceptível e mais presente", afirmou, apontando o "verticalismo e o distanciamento" como traços adquiridos no poder. "E junto com isso, dentro da lógica do aparelho, a eleição financiada, pelos custos que ela demanda, funcionou infelizmente como terrível elemento de indução progressiva à corrupção".

Para Carvalho, o PT está diante da necessidade de romper com o "ar condicionado" e passar a conviver com os novos movimentos populares para não abrir mão de seu papel histórico. "Temos de romper com a paralisia retomando o velho e bom método da convivência na luta e reflexão nessa luta", propôs.