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Carta de renúncia de Asdrúbal Bentes é lida no plenário da Câmara

ERICH DECAT - Agência Estado

26 Março 2014 | 17h 29

Condenado por realizar cirurgias de esterilização em troca de votos, parlamentar afirma ser inocente e que não quer causar constrangimento à Câmara

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), leu na tarde desta quarta-feira, 26, no plenário da Casa a carta de renúncia apresentada pelo deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA). "Por esse documento enviado à nossa presidência ele renuncia ao mandato de deputado federal. Ele expõe aqui as suas razões, a sua defesa, toda a sua vida parlamentar", anunciou Alves. "Portanto, comunique esta Casa a renuncia do mandato de deputado federal do deputado Asdrúbal Bentes. Vai à publicação a sua correspondência", acrescentou.

Na carta de renúncia entregue na tarde de hoje na Câmara, Bentes critica a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou pela troca de votos por cirurgias de esterilização. "Hoje, por uma decisão equivocada do Supremo Tribunal Federal fui condenado à pena de três anos um mês e dez dias de prisão em regime aberto por um crime que não cometi, esterilização cirúrgica, por ser crime de mão própria, portanto, impossível de ser praticado por quem não seja médico", afirma o parlamentar em trecho do documento de três páginas distribuído nesta tarde jornalistas.

O Supremo enviou na segunda-feira, 24, ofícios à Polícia Federal e ao Congresso comunicando a decisão tomada na semana passada pela Corte, confirmando a condenação de 3 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, em regime aberto.

"Resta-me tomar a mais difícil e dolorosa decisão da minha vida pública, a de renunciar ao mandato que me foi outorgado por 87.681 eleitores do meu Estado", diz em outro trecho da carta.  Segundo o deputado, a decisão da renúncia foi tomada para não causar "constrangimentos" aos demais deputados que teriam que votar em plenário um processo de cassação contra Bentes. A votação para os casos de cassação é aberta, ou seja, fica registrado no painel como cada um dos parlamentares votou.

"Pelo respeito que tenho a esta Casa e aos meus ilustres pares, para não lhes causar nenhum constrangimento de terem que votar pela cassação ou não do meu mandato, é que, depois de consultar os travesseiros, as lideranças nacional e regional do meu partido, a minha esposa, meus filhos, familiares e amigos, decidi pela minha renúncia, a partir de hoje", afirma o deputado.

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