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Dida Sampaio|Estadão

Cardozo diz que Delcídio não tem credibilidade para fazer acusações

'O senador Delcídio, lamentavelmente, depois de todos os episódios, não tem credibilidade para fazer nenhuma afirmação', afirmou o novo ministro da Advocacia-Geral da União

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Daniel Carvalho e Carla Araújo,
O Estado de S. Paulo

03 Março 2016 | 11h47

Brasília - Agora advogado-geral da União, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse na manhã desta quinta-feira, 3, que o senador Delcídio Amaral (PT-MS) não tem credibilidade para fazer acusações e que sua delação pode ser uma retaliação ao governo por não tê-lo ajudado a deixar a prisão. "O senador Delcídio não tem primado por dizer a verdade", afirmou Cardozo após a cerimônia que oficializou sua saída do MJ e ingresso na AGU.

De acordo com a revista IstoÉ, Delcídio teria dito em delação premiada que a presidente Dilma tentou atuar ao menos três vezes para interferir na Operação Lava Jato por meio do Judiciário. "É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação", afirmou Delcídio na delação, segundo a revista. Cardozo deixou esta semana o ministério alegando sofrer pressões do PT.

"O senador Delcídio, lamentavelmente, depois de todos os episódios, não tem credibilidade para fazer nenhuma afirmação", afirmou Cardozo, salientando que ainda não leu a reportagem e colocando em dúvida a existência de uma delação premiada. "Se for o que estão dizendo o que ele disse, que houve uma articulação para nomear juízes, isso é um verdadeiro absurdo, tanto que estão presos os réus", disse o novo advogado-geral da União.

Na delação, Delcídio teria citado também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e detalhado os bastidores da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás. As primeiras revelações do ex-líder do governo fazem parte de um documento preliminar da colaboração. Nessa fase, o delator indica temas e nomes que pretende citar em seus futuros depoimentos após a homologação do acordo. Delcídio foi preso no dia 25 de novembro do ano passado acusado de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato e solto no dia 19 de fevereiro.

O senador foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo pela tentativa de atrapalhar investigações. Em conversas gravadas pelo filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, o senador aparece negociando o silêncio do ex-diretor da estatal. Nas gravações, Delcídio sugere uma rota de fuga e dinheiro à família de Cerveró, para não ser mencionado em eventual acordo de delação premiada. Na delação, de acordo com a revista, o senador teria negociado com Cerveró a mando do ex-presidente Lula.  

Desde que deixou a prisão, o senador vinha afirmando que não faria acordo de delação premiada, pois iria "reescrever" sua história "sem revanchismo".

Cardozo considerou a suposta delação uma retaliação ao governo. "Recebíamos muitos recados, inclusive alguns foram publicados, em que se falava que, se o governo não agisse para tirá-lo da prisão, ele faria retaliações. Se efetivamente houve (delação), há uma forte possibilidade de ser retaliação, até porque isso foi anunciado previamente. Se o governo não fizesse nada para ele sair da cadeia, ele retaliaria", disse o ministro, informando que, após ler a reportagem da revista, voltaria a se pronunciar.

Cardozo também negou ter atuado a mando de Dilma para interferir na Lava Jato. "Jamais (atuei). A postura sempre foi a mesma que eu tinha com a Polícia Federal, independência de apuração e de julgamento. Aliás, os réus estão presos. Que articulação é esta que o STJ mantém as prisões?  Se é verdade que ele fez a delação premiada, a possibilidade de mais uma vez ele ter faltado com a verdade é grande", afirmou José Eduardo Cardozo.

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