ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO
ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

Candidatos tucanos disputam votos de 395 correligionários

Tanto aliados de Tasso Jereissati quanto de Marconi Perillo reconhecem que eleição no PSDB será acirrada

Pedro Venceslau e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Em um momento inédito na história do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) e o governador de Goiás, Marconi Perillo (GO), vão disputar nas próximas quatro semanas os votos dos 395 tucanos que compõem o colégio eleitoral que vai definir no dia 9 de dezembro o nome do próximo presidente do partido. Os dois lados reconhecem que a contabilidade está acirrada, o que causa apreensão na cúpula tucana. 

Segundo o estatuto da legenda, têm direito a voto todos os 160 membros do diretório nacional, 27 presidentes de diretórios estaduais, 58 parlamentares tucanos do Congresso e cerca de 150 delegados eleitos pela base nos congressos estaduais (cada Estado elege 10% do número de diretórios organizados). Nesse cenário, as convenções regionais do PSDB do fim de semana serão decisivas. 

A executiva nacional do PSDB está elaborando uma mapa dos delegados nos Estados que deve servir como referência sobre a força de cada postulante ao comando da legenda. A principal convenção será em São Paulo, neste domingo, 12. Com 537 diretórios efetivos e a maior bancada na Câmara, o Estado vai levar mais de um terço dos delegados.

O deputado estadual Pedro Tobias, que deve ser reeleito presidente do PSDB paulista, declarou apoio a Tasso e avalia que o senador contará com a ampla maioria dos votos. 

O senador cearense, que ocupa o cargo de presidente interino da sigla, tem como maior trunfo o apoio dos “cabeças pretas” – tucanos que defendem o desembarque do governo Michel Temer – enquanto Perillo é o preferido dos quatro ministros do partido e do senador Aécio Neves (MG), presidente licenciado da legenda, e dos governadores. 

“O Marconi vai rodar o Brasil todo. Estou trabalhando com afinco em busca de cada um desses votos”, disse o deputado federal Giuseppe Vecci (GO), principal articulador do governador goiano na Câmara. 

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“Tasso tem mais força na bancada. Ele tem apoio de todos que votaram pela abertura do inquérito da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Temer no plenário e também está à frente nos diretórios estaduais”, rebateu o deputado Daniel Coelho (PE), principal líder dos “cabeças pretas”. 

Em Pernambuco, porém, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, que está alinhado com Perillo, foi eleito presidente do diretório estadual. 

Tanto aliados de Tasso quanto de Perillo rejeitam a hipótese de que eles abram mão da disputa para apoiar uma “terceira via” de consenso, mas essa possibilidade vem sendo defendida por cardeais da legenda. 

+++ Intelectuais do PSDB lançam manifesto em favor de Tasso e pela saída do governo

Estatuto. Tasso lançou nesta quarta-feira, 8, oficialmente a sua candidatura à presidência do PSDB com a defesa de um código de ética “mais rigoroso” e de um novo estatuto que contemple a adoção do sistema de compliance (conjunto de boas práticas) para a fiscalização interna do partido e de seus integrantes. 

Durante o evento, realizado na liderança da sigla no Senado, estavam presentes 14 deputados e seis senadores tucanos.

A plataforma de Tasso se baseia no discurso de que a legenda precisa se “reconectar com as ruas”. “Não estou colocando meu nome à disposição para rachar, e sim para unir, mas não adianta ficar unido aqui e distante do povo, temos que ficar conectados com a população, que é tudo o que um partido político precisa”, afirmou o tucano ao anunciar a candidatura. 

Já Perillo anunciou seu nome para a disputa interna na semana passada, quando defendeu que o PSDB entregue no fim do ano os cargos que detém no governo federal. “Seria natural o desembarque no final do ano, com os ministros se desincompatibilizando para cuidar das candidaturas”, afirmou. 

Assim como o “desembarque” do PSDB, o apoio à candidatura do governador Geraldo Alckmin para a Presidência da República em 2018 também é consenso entre Tasso e Perillo. 

O paulista é apontado também como potencial candidato da unidade à presidência tucana, o que lhe daria mobilidade para viajar o Brasil na pré-campanha. Em 2013, Aécio presidia o PSDB e disputou a eleição presidencial do ano seguinte. / COLABOROU GILBERTO AMENDOLA 

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