Werther Santana|Estadão
Werther Santana|Estadão

Candidato mais rico, Doria diz que já está usando recursos pessoais na campanha

Em entrevista à rádio e TV Estadão, candidato do PSDB chama ex-presidente Lula de 'covarde'

Fábio Leite, Pedro Venceslau e Tônia Machado, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2016 | 16h31

Dono de um patrimônio declarado à Justiça Eleitoral de R$179,8 milhões, o maior entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, segundo levantamento do Estadão Dados, o empresário João Doria, do PSDB, disse que já está usando recursos pessoais na campanha. As novas regras de financiamento proíbem a doação de pessoas jurídicas e restringem a de pessoas físicas, exceto no caso do próprio postulante. 

"A regra atual é muito limitada, mas estabelece que 100% do patrimônio do candidato majoritário pode ser usado na campanha, resguardado o limite estabelecido pelo TSE, que é de R$ 45 milhões. Já estou colocando recursos pessoais na campanha", disse o tucano, que participou nessa terça-feira, 2, de entrevista na rádio e TV Estadão. 

O candidato do PSDB já havia dito em entrevistas que calcula gastar "menos da metade" do teto de gastos, mas evitou prever números . Já aliados afirmam que o custo total da campanha deve ser de R$ 15 milhões entre o primeiro e segundo turno.

Durante a entrevista, Doria voltou a criticar o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não tenho medo do Lula. Ele ameaçou me processar e fez uma notificação judicial. Enquadrei a primeira página e coloquei  no quarto dos meus três filhos para que eles saibam que o pai dele foi ameaçado por um ex-presidente covarde".  

Racha. O empresário  minimizou o procedimento investigatório do Ministério Público Eleitoral provocado pelo senador tucano José Aníbal e o ex-governador Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB, que o acusam de compra de votos e abuso de poder econômico nas prévias da sigla.  "Não tenho nenhum temor. Não fizemos absolutamente nada de errado. Essas ações lamentavelmente foram provocadas por aqueles que foram derrotados por nós nas prévias do PSDB."

Durante o processo de disputa interna, Goldman e Aníbal fizeram campanha contra Doria e apoiaram o vereador Andrea Matarazzo, que acabou migrando para o PSD e será candidato a vice na chapa da senadora Marta Suplicy (PMDB).  "Não faço política com o fígado. Gosto de ser conciliador. Respeito a biografia deles, como respeitaria na minha casa se meus filhos tivessem uma posição diferente da minha ou torcessem para outro time que não o meu."

Ainda sobre a divisão, Doria disse que "no momento oportuno" contará com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ministro das Relações Exteriores, José Serra, que apoiaram Matarazzo. "O ex-presidentre disse que aguardaria a convenção do PSDB para fazer sua manifestação. Nós estivemos juntos, eu, o Bruno Covas (candidato a vice) e ele. Mas não espere do Fernando Henrique fazer campanha na rua. Não é o caso."

Questionado se pretende usar vitrines da gestão Serra na prefeitura em sua campanha, o candidato desconversou. "Pretendemos fazer um programa  de governo olhando para o presente e o futuro. Não vou fazer campanha olhando para o retrovisor", disse.

Sobre a disputa pelo Palácio do Planalto em 2018, João Doria disse que sua vitória "naturalmente" fortaleceria uma eventual candidatura de seu padrinho político, Geraldo Alckmin. "O objetivo não é esse, mas seria uma vitória que, creditada ao governador Geraldo Alckmin, daria a ele uma exposição e credibilidade ainda maior para seguir sua trajetória."

Propostas. O candidato do PSDB voltou a defender privatizações e concessões de equipamentos públicos, como o Autódromo de Interlagos, o Anhembi e o Estádio do Pacaembú. "A privatização de equipamentos públicos é a melhor saída. A administração privada é mais eficiente", disse.

Ele também prometeu reverter iniciativas da gestão Fernando Haddad. Vejos os trechos 

    

1 -  "Privatização de equipamentos públicos é a melhor saída. A administração privada é mais eficiente."

2 - "Defendo a concessão para a iniciativa privada de corredores para melhorar o uso. Vamos usar GPS para dar a indicação correta para quem  quer saber o horário preciso.  Quem explorar ganha na publicidade. A informação publicitária paga o serviço."  

3 -  "O programa Braços Abertos é um fracasso. É braços abertos para a morte. Aumentou o número de usuários de crack, de traficantes e o preço da pedra de crack subiu. Vamos acabar com a cracolândia, não isolar." 

4 - "Sou a favor da Inspeção veicular, mas sem custo ao usuário. Vamos estudar como pagar. Usar a criatividade, tudo é possível."  

5  - "Contra demolição do Minhocão. Aquilo representou dinheiro público. Um parque linear formidável, área verde. Espaço de lazer seguro."

6 - "Mudança de nome das vias, eu não faria isso. João Goulart foi colega do meu pai, que foi cassado. Mas retirar não me parece o melhor gesto, embora para mim soe melhor João Goulart que Costa e Silva. Elevado João Goulart." 

7 - "Não sou de elite. Esses selos não são aplicáveis." 

Confira a entrevista na íntegra:

 

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