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Campos evita falar em possível dobradinha com Aécio

JOÃO DOMINGOS E ERICH DECAT - Agência Estado

14 Fevereiro 2014 | 13h 17

Protagonista do evento da direção nacional do PPS, realizado em Brasília nesta sexta-feira, 14, o governador Eduardo Campos (PSB) se esquivou das perguntas feitas sobre a construção de uma aliança com o senador Aécio Neves (PSDB) em um eventual segundo turno da disputa presidencial deste ano.

Campos e Aécio deverão disputar com Dilma Rousseff a Presidência da República no próximo mês de outubro. Os dois vêm atuando praticamente com o mesmo discurso oposicionista nesse início de pré-campanha.

Ao responder sobre o tema, Campos evitou dar como certa a dobradinha com os tucanos no segundo turno, mas ressaltou a proximidade com o presidente do PSDB. Segundo o governador, a relação foi fortalecida na eleição de Belo Horizonte, quando Aécio foi o principal apoiador do nome de Márcio Lacerda (PSB).

"Essa forma de fazer política o Brasil vê hoje com mais alegria, que é conviver com os diferentes. A vida inteira aprendi a conviver com os diferentes, respeitar os diferentes", afirmou Campos. "Estou tranquilo, não estamos no tempo de falar no segundo turno porque não começou nem o primeiro turno. Estamos em pré-campanha. Fazer o debate qualificado, vai dar tudo certo até a eleição", acrescentou.

Em outro momento, ele foi questionado pelos integrantes do PPS sobre a avaliação que fazia sobre o número de ministérios criados pelo atual governo. " Virou um consenso nacional de que temos ministérios demais. Precisamos fazer um debate, quem sabe reduzir à metade. Perceber que o Estado brasileiro está muito distante da cidadania. Em alguns Estados e municípios há a tentativa de aproximar o Estado do Brasil real, que exigiu dos gestores capacidade de atuar dentro de alguns limites", disse o governador de Pernambuco.

O evento de hoje foi feito em clima de pré-campanha e Eduardo Campos aproveitou também para criticar a condução do atual governo na área econômica. O pernambucano defendeu um "novo ciclo político" para o País.

"Nós começamos a viver um tempo em que o Brasil desacelerou, a sensação que passa à sociedade brasileira é a de que nós paramos e que o Brasil interrompeu um ciclo em que as pessoas percebiam, com acertos e erros, que estávamos acumulando conquistas em setores importantes na sociedade", afirmou Campos na abertura do evento. "No momento em que o Brasil inaugura o quarto ano da gestão que está aí, notamos que paralisou, que o rumo estratégico não está sendo perseguido e colocamos em risco as conquistas dos últimos 30 anos", acrescentou.

O governador defendeu que deve haver "humildade" para ouvir as demandas da população e usou um dos motes que devem fazer parte da campanha de que o País não deve ser "dividido". "Acho que temos que discutir a produtividade da economia, qualidade de vida nos grandes centros urbanos, questão do campo brasileiro, questão da energia. Quem quer discutir essas questões centrais tem que fazer com muito equilíbrio. Acho que a gente não precisa dividir o Brasil. Acho pelo contrário a gente precisar unir os brasileiros", afirmou.

Campos se esquivou ao ser questionado sobre uma possível candidatura do ex-presidente Lula na campanha deste ano à Presidência da República. "Não estamos discutindo a candidatura de outros partidos. Estamos discutindo neste momento o pensamento e as propostas desses partidos que estão reunidos: PPS, PSB, e Rede, para apresentar ao Brasil uma alternativa".

Sobre a alianças do partido nos Estados, Campos afirmou que somente após o dia 15 a Executiva Nacional deverá tratar sobre o tema. "A pauta do povo neste momento não é a montagem dos palanques estaduais", disse. "Problemas regionais serão discutidos pelas direções regionais. No dia 15 março voltará à pauta nacional o quadro de cada Estado. Até lá não vamos nos posicionar sobre questões que são próprias dos Estados".