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Campos diz que propaganda do PT é 'desespero'

Daiene Cardoso - AGÊNCIA ESTADO

13 Maio 2014 | 22h 56

Pré-candidato do PSB à Presidência classificou como 'equívoco' apostar em discurso do medo

BRASÍLIA - O pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, reagiu nesta terça-feira, 13, à propaganda do PT que foi ao ar nesta noite, onde o partido da presidente Dilma Rousseff alerta o eleitor sobre os riscos de "voltar atrás".

"Vejo um certo desespero no que está sendo colocado. Eu acho que aquilo ali vai ser um grande tiro no pé. Com esse tipo de campanha, os que imaginam que vão colocar medo vão encorajar o povo a tirar a presidente inclusive do segundo turno", previu o presidenciável. Após reunião da Executiva Nacional do PSB, em Brasília, Campos chamou a inserção petista de "equívoco", tanto do ponto de vista político quanto histórico. Ele lembrou que o próprio PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram vítimas da "campanha do medo" nas eleições de 2002. "Lamento que se parta para esse tipo de argumentação", comentou.

Durante a reunião, Campos condenou a inserção adversária. Segundo aliados, Campos previu que a campanha começa a ficar mais pesada a partir de agora. "O jogo vai ser mais duro que antes", relatou o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Campos criticou a tentativa do PT de incutir o medo no eleitorado e disse estar preparado para esse tipo de ação.

No vídeo petista, o narrador alerta o eleitor para os riscos de "voltar atrás". "Quando a gente dá um passo para frente na vida, precisa saber preservar o que conquistou. Não podemos deixar que os fantasmas do passado voltem e levem tudo o que conseguimos com tanto esforço. Nosso emprego de hoje não pode voltar a ser o desemprego de ontem. Não podemos dar ouvido a falsas promessas. O Brasil não quer voltar atrás", diz a mensagem petista.

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), chamou a propaganda de "desserviço" e disse que tal "apelação" corre o risco de provocar uma aversão no eleitorado. "Fiquei chocado, aquilo é um retrocesso, uma demonstração de medo. O PT está morrendo de medo de perder as eleições e vai perder", afirmou.

No encontro desta tarde, não ficou definida ainda a situação dos palanques em São Paulo e Minas Gerais. "O que puder ser decidido por consenso, será decidido, o que não for, será no voto", disse o pré-candidato, lembrando que já há acordo para os palanques de 15 Estados. O Congresso do PSB será no dia 28 de junho e a convenção que homologará sua candidatura será no dia 29. O evento poderá acontecer no Rio, em São Paulo ou Brasília, dependendo dos custos de realização nestes locais.

Pesquisas. Segundo Valadares, Campos está otimista sobre as pesquisas de intenção de voto. Ele acha que a população tem pouco conhecimento sobre sua candidatura, ou seja, há perspectiva de crescimento e desejo forte de mudança. "A proposta dele tem de ser conhecida e ele tem esse otimismo. Há uma curiosidade em relação a ele."

O PSB vai concentrar a presença de Campos nos 9 Estados mais populosos (5 do Sul e Sudeste e 4 do Norte e Nordeste), onde vivem 79% do eleitorado. Campos ressaltou que quer visitar comunidades para ter "contato direto" com a população e que não quer concentrar sua agenda de campanha em eventos com empresários e políticos. "Ele sempre fez campanha desse jeito em Pernambuco", disse Valadares.

Campos reforçou que ele e o tucano Aécio Neves têm dois projetos que não podem ser confundidos. "Se não houver diferenciação entre os candidatos, como o povo vai fazer sua escolha?", resumiu Valadares. Segundo aliados, Campos também comentou as dificuldades da campanha de convencer o setor do agronegócio por causa de sua vice, a ex-senadora Marina Silva. Os aliados informaram que o presidenciável não vê perdas para a candidatura com a presença de Marina e que, se ela é malvista no agronegócio, ela compensa na região urbana.