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Campos diz conhecer Costa como diretor da Petrobrás

Carla Araújo e Isadora Peron - O Estado de S. Paulo

25 Março 2014 | 15h 30

Pré-candidato à Presidência afirmou ainda ser favorável a 'qualquer tipo de investigação' envolvendo irregularidades na estatal

São Paulo - O governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos (PSB), afirmou nesta terça-feira, 25, que conhece o ex-diretor da Petrobrás preso pela Polícia Federal, Paulo Roberto da Costa, indiciado por corrupção passiva sob suspeita de ter recebido dinheiro de doleiro que tinha interesse em contrato na construção da refinaria Abreu e Lima, que fica no Estado. "Conheci o (Paulo Costa). É claro. Ele era diretor da Petrobrás. Várias vezes ele esteve em Pernambuco, em solenidades e reuniões. Essa refinaria está sendo construída no porto (de Suape). O Estado fez uma série de obras para a Petrobrás como contrapartida da localização dessa refinaria em Pernambuco."

O governador disse que as suspeitas de pagamento de propina na refinaria são uma novidade."Ninguém sabia, não há processo, não há iniciativa do Ministério Público", afirmou, ao ser questionado sobre o assunto, nesta terça-feira, 25, em evento em São Paulo.

Campos é defensor da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso para investigar as suspeitas que recaem sobre os negócios da Petrobrás.

Como revelou o Estado nesta terça, a Polícia Federal suspeita que o doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato, tenha pago R$ 7,9 milhões em propinas para o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, entre 2011 e 2012. Os pagamentos, segundo a PF, estavam "relacionados a obras da refinaria Abreu e Lima, licitada pela Petrobrás, na qual o investigado (Costa) teve participação".

O pré-candidato à Presidência reiterou ainda que "desde o primeiro momento, o PSB, é a favor de todo o tipo de investigação sobre essa questão". "Queremos jogar luz nesse problema para que a gente possa cuidar da Petrobrás e cuidar de punir (a quem tenha praticado alguma irregularidade)."

As declarações foram dadas após Campos participar de palestra promovida pela Americas Society/Council of the Americas, em São Paulo.

CPI. Campos voltou a defender, de forma mais enfática, a criação da CPI da Petrobrás e disse que o "Congresso deve usar todos os expedientes que tem para esclarecer o que tem que ser esclarecido".

Questionado se era favorável à criação de uma CPI para investigar o caso Pasadena e se, assim como o senador Aécio Neves - outro provável adversário da presidente Dilma em outubro, faria um empenho pessoal a favor da criação da comissão, Campos disse que "empenho pessoal tem que ser feito pelos líderes partidários" que estão no Congresso. "E o Aécio é senador".

O governador lembrou que o partido que preside, o PSB, foi o primeiro a pedir investigação. "Nosso partido é que tomou a iniciativa de convocar a presidente da Petrobrás e o ministro (Edison) Lobão para prestar esclarecimentos", destacou. "Vamos apoiar qualquer convocação."