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Campos deixa governo de PE, critica Dilma e diz que vai ‘unir o Brasil’

Isadora Peron (enviada especial) e Angela Lacerda - O Estado de S. Paulo

04 Abril 2014 | 21h 30

Sem a presença da neoaliada Marina Silva, pré-candidato ao Planalto entrega cargo ao vice com discurso que tenta explorar antiga polarização entre PT e PSDB

Recife - Eduardo Campos (PSB) deixou nesta sexta-feira, 4, o governo de Pernambuco, Estado que comandava desde 2007, para se candidatar à Presidência da República. No discurso de despedida, no Recife, falou em "unir o Brasil", tentando explorar a já tradicional rixa entre petistas e tucanos.

Uma estrutura foi montada do lado de fora do Palácio Campo das Princesas, sede da administração pernambucana. Cerca de 2,5 mil pessoas acompanharam a cerimônia, que oficialmente foi organizada para dar posse ao vice-governador João Lyra. Na plateia, bandeiras do PSB, da CUT e do MST, e faixas de "Eduardo presidente".

O local virou uma espécie de feira de Caruaru, terra de Lyra.

Herdeiro. Campos começou a sua fala lembrando a história do avô, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, que foi deposto do cargo pelo regime militar. "Hoje, depois de dois mandatos, deixo o Palácio do Campo das Princesas pela mesma porta da frente, rumo a novas lutas a que me levam compromissos sociais, históricos e políticos", disse o agora ex-governador.

Ele criticou a gestão da presidente Dilma Rousseff, da qual seu PSB fazia parte até o fim do ano passado. "Há um sentimento generalizado de que o País, depois de um período de avanços sociais e econômicos, parou de melhorar", afirmou.

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Ao lembrar das manifestações de junho do ano passado, disse que as pessoas foram às ruas para demonstrar descontentamento com os rumos os "descaminhos da economia e o recrudescimento da inflação".

Ao agradecer o apoio da sua mulher, Renata, e dos seus cinco filhos, ficou emocionado. Com a voz embargada disse que, por causa da política, muitas vezes teve de se ausentar do convívio familiar. Durante a manhã, Campos também havia chorado ao participar de uma missa.

Ausência. Campos lembrou no discurso a aliança com a ex-ministra Marina Silva, que não foi a Recife para a cerimônia. Marina se aliou ao governador em outubro do ano passado após ficar sem legenda para disputar a eleição deste ano. Ela não conseguiu assinaturas válidas para registrar seu partido, a Rede, e acabou abrigada pelo PSB.

Marina está nos EUA. Ele deve ser vice de Campos, formando assim uma chapa com dois ex-ministros de Luiz Inácio Lula da Silva. Ela do Meio Ambiente e ele da Ciência e Tecnologia.

Descolamento. Campos deixa o governo de Pernambuco como um dos governadores mais bem avaliados do País. Animado com o crescimento do PSB nas eleições municipais de 2012, passou o ano seguinte tentando viabilizar a sua candidatura ao Palácio do Planalto.

Em uma série de recentes encontros com empresários, apresentou-se como uma terceira via capaz de quebrar a polarização entre PT e PSDB.

Para sustentar esse discurso, saiu da base aliada em setembro e desde então tem ajudado a oposição a impor sucessivas derrotas ao governo no Congresso. Nem mesmo sob a promessa de apoio em 2018, Lula conseguiu convencer Campos de desistir de concorrer.

Campos vai se mudar para São Paulo durante a campanha, cujo início oficial é 5 de julho. É na cidade que será instalado seu comitê central. A ideia agora é rodar o Brasil para se tornar conhecido. Hoje, Campos está em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Dilma e do tucano Aécio Neves.

 

 

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