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Campos apresenta programa de governo e diz que 'País parou'

Erich Decat - Agência Estado

04 Fevereiro 2014 | 14h 20

Ao lado de Marina Silva, governador e provável candidato à Presidência criticou 'letargia do Estado' e afirma que educação será prioridade

Brasília - Protagonista do lançamento das diretrizes da campanha presidencial do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, utilizou parte do discurso para criticar o que classificou como letargia do Estado brasileiro. O evento foi realizado na Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 4, e contou com a participação da ex-ministra Marina Silva e alguns parlamentares do PPS, PDT e PROS.

"Temos a clara percepção de que as pessoas estão vendo que o País parou", disse Campos, provável candidato à Presidência. Assim como Marina, o dirigente defendeu a manutenção das atuais conquistas sociais, mas disse que é preciso resgatar bandeiras deixadas para trás ao longo dos últimos anos. "Se quisermos salvar os próximos 20 anos, temos que fazer o que foi deixado para trás", afirmou. "Temos que recolher as bandeiras que foram ficando no caminho e ter coragem de levantá-las com a nossa história."

Campos também criticou o que chamou de apropriação do Estado por parte de partidos, uma referência indireta à atual reforma ministerial iniciada pela presidente Dilma Rousseff. "Temos coragem de dizer desde já: o Estado não pode ser apropriado". Também sem citar nominalmente os adversários, o governador mandou o recado de que durante a campanha presidencial não pretende "baixar o nível" do debate. "Não vamos fazer o jogo daqueles que querem baixar o nível do debate político", afirmou.

Na primeira semana de janeiro, um texto publicado no Facebook do PT nacional classificava o governador de Pernambuco como "tolo", "playboy mimado" e como candidato "sem projeto, sem conteúdo e sem compostura política" para disputar a Presidência da República neste ano.

"O desespero já se abate sobre alguns, que não pensam na nação", ironizou Campos no evento.

Segundo ele, a prioridade do partido será a educação. "Sonho em ver a classe média ou executivos matriculando seus filhos na escola pública."

O documento apresentado hoje contem 70 páginas e, conforme antecipou o Broadcast Político, as diretrizes serão divididas em cinco eixos: Estado e a democracia de alta intensidade; Economia para o desenvolvimento sustentável; Educação, cultura e inovação; Políticas sociais e qualidade de vida; Novo urbanismo e o pacto pela vida.

Marina Silva, por sua vez, afirmou que é preciso ampliar as conquistas dos brasileiros. As declarações reforçam o possível mote de campanha do partido de que é preciso manter as conquistas das últimas décadas realizadas nos governos do PSDB e PT, mas fazê-las avançar.

Antes do evento, a ex-ministra reafirmou que o candidato da coligação é Campos e cabe a ele definir quem ocupará a vice-candidatura. Dentro da Rede, há expectativas de que ela anuncie a vice até março.

Ao longo do discurso Marina também focou as críticas no modelo de coalização dos partidos, segundo ela, baseado no tempo de TV e estruturas de cada legenda. "Essa política com base em estruturas precisa mudar", afirmou. "Se Eduardo Campos ganhar [a disputa presidencial] só haverá um a quem se deve agradecer, o povo brasileiro."