Campos: acusação contra Bezerra Coelho é 'armação'

O presidente nacional do PSB e governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos, considerou hoje "uma armação" e "uma tentativa de extorsão" a denúncia publicada pelo jornal Folha de S.Paulo na qual o ministeriável Fernando Bezerra Coelho - indicado para a pasta da Integração Nacional - é acusado de pagar, em troca de apoio, mesada a líderes comunitários quando foi prefeito de Petrolina, no sertão pernambucano.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

17 Dezembro 2010 | 19h29

Em rápida entrevista no final da tarde, antes da cerimônia de diplomação, Campos lembrou que Bezerra Coelho tem "larga folha de serviços prestados a Pernambuco, uma vida pública honrada reconhecida pelo seu povo". Segundo ele, em referência aos planos do PSB em relação a ministérios, "uma armação como esta" não irá mudar "absolutamente nada". Ao seu ver, a acusação não queima o nome de Bezerra Coelho, que é seu secretário de Desenvolvimento Econômico. Disse que a acusação é "grosseira" e "uma fraude explícita".

Demonstrando tranquilidade, Bezerra Coelho, também presente ao evento, reiterou que na próxima semana irá entrar na Justiça comum, em Petrolina, com uma ação por crime de calúnia, difamação e injúria contra o autor das denúncias, Paulo Lima. "Não tem nenhum fato novo nesta denúncia", disse o secretário, ao considerar o caso "assunto de Justiça".

Em nota, o advogado de Bezerra Coelho, Ademar Rigueira, afirmou que Paulo Lima, que presta serviços a prefeituras, fraudou documentos para tentar incriminar o ministeriável. Para ele, o objetivo de Lima era extorquir seu cliente. "A fraude é grosseira - a assinatura de Fernando, rasgada de documentos oficiais, foi acrescentada com recados que não foram produzidos pelo caluniado, fato que será comprovado após a realização de exames grafotécnicos já solicitados", afirmou.

A nota destaca que "as calúnias proferidas pelo sr. Paulo Lima já eram do conhecimento do Ministério Público Federal (MPF) em Petrolina desde agosto deste ano, quatro anos após a ocorrência dos supostos fatos". Segundo o advogado, Paulo Lima prestou depoimento "calunioso" ao MPF, e também "cuidou de distribuir cópias (do seu depoimento) em Petrolina, enviando uma, de forma apócrifa, ao próprio caluniado, numa demonstração clara do seu real intento - extorquir o ex-prefeito".

Rigueira afirmou que o procurador remeteu o caso para a Procuradoria Regional Federal, no Recife, que até o momento não instaurou nenhum procedimento. "Fernando Bezerra Coelho se dispôs a qualquer esclarecimento visando a apurar as calúnias e estava esperando o pronunciamento do Ministério Público", explicou o advogado.

Denúncia

A denúncia veiculada pelo jornal afirma que Bezerra Coelho teria feito pagamentos mensais a dois líderes comunitários e a um vereador por meio da empresa de Paulo Lima, que teria tido um total de cerca de R$ 50 mil com despesas que depois seriam cobertas pela prefeitura. O acordo não teria sido cumprido e Paulo Lima foi condenado pela Justiça Federal por dívidas de R$ 98 mil com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A pena foi transformada em prestação de serviços.

De acordo com a denúncia, o líder comunitário José Caldas de Santana teria recebido R$ 2,8 mil dentro desse esquema - entre maio e dezembro de 2006 - e Audení Damasceno Maia teria recebido pagamentos mensais no ano de 2004. Paulo Lima disse ainda ter pago R$ 12 mil ao vereador Ruy Wanderlei, em 2006. Bezerra Coelho foi eleito três vezes prefeito de Petrolina. Deixou no meio o terceiro mandato, em 2006, para assumir a secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico.

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