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Câmara suspende mandato de deputado ligado a Cachoeira

Erich Decat - Agência Estado

23 Abril 2014 | 19h 43

Carlos Leréia (PSDB-GO) ficará 90 dias sem receber o salário; ele admitiu ser amigo de contraventor condenado por peculato, corrupção, violação de sigilo e formação de quadrilha

Brasília - Em sessão realizada nesta quarta-feira, 23, o plenário da Câmara aprovou a suspensão por 90 dias do mandato do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). A votação foi aberta e contou com 353 votos a favor da punição e 26 contra num quórum de 379 parlamentares.

O processo contra o deputado foi apresentado por integrantes da Mesa em dezembro de 2012, após a revelação de que ele mantinha relação próxima com o contraventor Carlinhos Cachoeira, condenado por peculato, corrupção, violação de sigilo e formação de quadrilha.

O processo também tinha como objetivo apurar possível envolvimento do deputado com os fatos investigados nas operações Monte Carlo e Vegas da Polícia Federal, nas quais um dos alvos era Carlinhos Cachoeira.

A penalidade imposta nesta a Leréia contou com apoio de praticamente todas as bancadas, incluindo o próprio PSDB, que orientou os tucanos a votar a favor da punição. O único partido que "liberou" a bancada foi o PT. Entre os integrantes da legenda está o deputado licenciado André Vargas (PR), que desde o início do mês enfrenta um processo disciplinar no Conselho de Ética da Casa. O caso do petista pode culminar em um pedido de cassação que também deverá ser decidido em votação aberta em plenário.

A decisão tomada contra Leréia teve como base o parecer aprovado pelo Conselho de Ética em setembro do ano passado, que sugeriu a suspensão do mandato pelos próximos três meses. Durante esse período, Leréia não deverá receber salário de cerca de R$ 28 mil.

Da tribuna, o tucano reconheceu a amizade com Carlos Cachoeira, a quem tratou de "Carlinhos" e "amigo pessoal". "Jamais omiti ou menti sobre essa relação que tenho antes de ser deputado", afirmou. Ao falar sobre os jogos de azar, o tucano classificou como "hipocrisia" a falta de uma regulamentação para o setor.

"Vivemos uma enorme hipocrisia neste País", ressaltou. "Em qualquer Estado da federação, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, em Minas Gerais, Goiás, São Paulo, sabem os que mexem com jogo. Mas não mexem de agora, há anos herdaram dos avós, dos bisavós, dos pais e continuaram. Essa questão de jogo tem que ser discutida no Brasil", acrescentou. Após o discurso do tucano, não houve pronunciamento contra ou a favor do deputado e a discussão foi encerrada.