Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Câmara corta benefícios de Rocha Loures, mas mantém salário

Deputado afastado deixará de receber auxílio-moradia e cota de exercício parlamentar; decisão sobre remuneração deve sair na semana que vem

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2017 | 20h29

BRASÍLIA - A direção da Câmara decidiu cortar alguns benefícios do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), afastado do cargo na quinta-feira, 18, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A Casa deve decidir na próxima semana, em reunião da Mesa Diretora, se vai suspender também o salário de R$ 33.763 e se haverá convocação do suplente.

O parlamentar é aliado do presidente Michel Temer (PMDB) e alvo da Operação Patmos – desdobramento da Lava Jato que mira o próprio presidente e o senador afastado Aécio Neves (PSDB). Loures foi monitorado pela Polícia Federal recebendo mala com R$ 500 mil em dinheiro em espécie. O STF determinou, na Patmos, o afastamento dele do mandato de deputado federal.

Rocha Loures perdeu o direito à cota para exercício da atividade parlamentar de R$ 38.871,86, uma vez que está fora do mandato. O chamado "cotão" é destinado ao pagamento de despesas como passagens aéreas, telefonia, serviços postais, manutenção de escritórios, alimentação, hospedagem, despesas com locomoção, consultoria técnica, segurança e participação em eventos ligados à atividade parlamentar. O valor do cotão varia de acordo com o Estado de origem do parlamentar.

O peemedebista também deixará de receber os R$ 4.253 de auxílio-moradia. O gabinete do deputado no anexo 4 da Câmara será fechado.

O deputado estava no exercício do mandato desde março, quando assumiu a vaga de Osmar Serraglio (PMDB-PR), que foi nomeado ministro da Justiça. Rocha Loures vive agora situação semelhante à do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no ano passado: está fora do mandato, mas mantém o foro privilegiado. A diferença, no entanto, é que Cunha foi afastado durante exercício da presidência da Casa, mas, por causa de sua influência política na época, conseguiu manter alguns benefícios, como o direito a ocupar um dos imóveis funcionais da Câmara, mesmo sem poder atuar como parlamentar.

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