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Cai possibilidade de vitória no 1º turno, diz analista

DANIEL GALVÃO - Agência Estado

17 Abril 2014 | 19h 33

O cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, afirmou nesta quinta-feira que a pesquisa Ibope divulgada hoje mostra que a possibilidade de a presidente Dilma Rousseff (PT), pré-candidata à reeleição, vencer as eleições no primeiro turno é cada vez menor. No entanto, afirmou, o eleitorado que "desembarca" da pré-candidatura de Dilma não "embarca" de maneira expressiva nas intenções de votos de nenhum dos outros dois principais pré-candidatos - os presidentes nacionais do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e do PSB, Eduardo Campos.

A pesquisa mostra, no principal cenário, uma queda nas intenções de voto da presidente. Dilma caiu de 43% no levantamento divulgado em março para 39%. Aécio somou 16% das intenções de voto, ante 15% no levantamento anterior. Campos obteve 8% das intenções de voto, ante 7% na mostra de março.

De acordo com Teixeira, que também é mestre e doutor em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a análise das últimas sondagens aponta para uma tendência de queda da presidente, mas dentro de um cenário em que, a princípio, nenhum dos adversários dela se beneficia. "A má notícia para o governo é que, a cada pesquisa, ela (Dilma) perde não apenas eleitores, mas prestígio do governo", afirmou, em referência à avaliação positiva da gestão, que, segundo o Ibope, oscilou de 36% para 34% em relação ao levantamento divulgado em março. "Nesse cruzamento de dados, a perda de prestígio de governo leva à perda de eleitores", disse.

Conforme o cientista político, o cenário econômico de curto prazo é dos "piores" e influencia esses números. "A indústria automobilística está com altos estoques, dando férias coletivas, e a geração de emprego é muito ruim em relação a anos exteriores. Isso puxa Dilma para baixo", disse. "Se temos um cenário econômico que parece piorar, a tendência é que ela continue a perder eleitores."

Na análise de Teixeira, a pré-candidatura da ex-senadora Marina Silva (PSB) a vice-presidente na chapa de Campos, se influenciar as pesquisas, só deve causar algum efeito quando ela começar a pedir votos na televisão, com o início da publicidade eleitoral gratuita. "Mas, se houver alguma mudança, será residual, pois a intenção de votos da Marina, quando ela entra num dos cenários da pesquisa, é baixa", declarou.

Na avaliação do cientista, a estratégia de Dilma de se expor mais, evitando usar interlocutores para dar declarações, é acertada do ponto de vista de campanha. "Até então, ela não falava, não se colocava publicamente e sofria uma enxurrada de denúncias, sobretudo com o Aécio Neves bastante contundente."