Cafeteira critica pedido da oposição para barrar arquivamento

Relator do caso Renan pediu arquivamento mesmo sem ouvir os envolvidos; já Demóstenes Torres quer votar relatório paralelo para aprofundar investigação

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 15h13

O senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) disse nesta quinta-feira, 14, que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) cumpre seu papel de "promotor", ao decidir apresentar, nesta sexta-feira, um relatório paralelo ao Conselho de Ética propondo que o colegiado aprofunde as investigações sobre as denúncias de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), teria contas pessoais pagas por terceiros. Relator da representação do PSOL que trata deste assunto, Cafeteira apresentou ao Conselho de Ética parecer pelo arquivamento da matéria sob o argumento de falta de provas. A decisão foi tomada antes mesmo de ouvir os envolvidos no caso: a jornalista Mônica Veloso, o lobista Cláudio Gontijo e o próprio Renan. A representação do PSOL se ampara, entre outras acusações, em informações da revista Veja de que o presidente do Senado teria pagado pensão alimentícia a uma filha de três anos por meio de Gontijo, lobista da empreiteira Mendes Júnior. A votação do relatório está prevista para esta sexta-feira, às 10 horas. "O senador Demóstenes Torres, naturalmente, faria isso (apresentar voto em separado). Ele é promotor público, é a função dele", afirmou Cafeteira, em entrevista à imprensa. O relator reafirmou que os documentos analisados não apresentaram qualquer indício contra o presidente do Senado que justifique o aprofundamento das investigações. Cafeteira ressaltou que deu ao caso tratamento idêntico ao que a Justiça daria a qualquer cidadão processado sem qualquer prova. "Todo cidadão, inclusive parlamentares, tem o direito à presunção da inocência", afirmou o senador. Ele disse que, no que depender do seu voto, "nenhum dos 80 senadores será cassado, se não houver prova que justifique a abertura de um processo". Veja as acusações contra o presidente do Senado: Operação Navalha - As conversas gravadas pela PF apontam que o ex-secretário de Infra-estrutura de Alagoas, Adeílson Teixeira Bezerra, junto com outros acusados de integrar o esquema de fraudes em licitações de obras, articulavam para que Renan pressionasse a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a liberar recursos para obras fraudadas. Relação com lobista - A revista Veja publicou que de janeiro de 2004 a dezembro do ano passado o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, teria pago pensão mensal de R$ 12 mil para uma filha de três anos que o senador tem com a jornalista Mônica Veloso. Renan nega e diz que o pagamento foi feito com recursos próprios. "Laranjas" - Já o jornal O Globo publicou que Renan e seu irmão Olavo são acusados de ocultar que são donos de propriedades rurais na região de Murici, Alagoas. Dimário Cavalcante, primo de Renan, alega que vendeu ao senador a Fazenda Novo Largo, que não consta da declaração de bens entregue pelo senador à Justiça Eleitoral. A suspeita é de que Renan use "laranjas" para esconder ser donos de fazendas em Alagoas.

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