André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Busca em gabinete mostra 'desespero' de Janot, afirma Cunha

Peemedebista reage a buscas em seu gabinete na Câmara ligadas à Lava Jato e afirma que procurador-geral tenta justificar inquérito

Talita Fernandes e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2015 | 15h36

Atualizado às 22h34

Brasília - A Procuradoria-Geral da República recebeu na noite desta quarta-feira, 6, os documentos obtidos na Câmara dos Deputados após as diligências solicitadas pelo órgão no inquérito do qual o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é alvo. Para Cunha, as buscas demonstram “desespero” do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na tentativa de encontrar provas “para justificar algo que não aconteceu”. 

“É uma tentativa de procurar prova para justificar algo que não aconteceu. São circunstâncias que mostram o desespero do procurador de tentar encontrar alguma coisa que possa tentar me incriminar”, afirmou Cunha na tarde de ontem. 

O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, autorizou na segunda-feira as diligências pedidas pela Procuradoria. O pedido e a decisão são sigilosos e tanto o STF quanto a PGR não quiseram comentar o teor do que foi solicitado. 

Procuradores, técnicos de informática e um oficial de Justiça do STF estiveram na Câmara entre a noite de segunda e a tarde de terça-feira em busca de documentos que podem trazer novas pistas sobre o envolvimento de Cunha no esquema que desviou recursos da Petrobrás. Os investigadores buscavam informações sobre dois requerimentos feitos na Câmara em 2011, de autoria da ex-deputada federal Solange Pereira de Almeida (PMDB-RJ), hoje prefeita da cidade de Rio Bonito, no Estado do Rio de Janeiro. 

A suspeita, com base em depoimento do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Lava Jato, é de que as representações tenham sido arquitetadas por Cunha. O doleiro disse ao Ministério Público que o presidente da Câmara seria um dos beneficiários das propinas vindas do esquema envolvendo um contrato de aluguel de um navio-plataforma das empresas Samsung e Mitsui. Ele teria encomendado os pedidos de auditoria dos contratos entre Mitsui, Samsung e Petrobrás como uma “ameaça”, após o pagamento de propina ter sido suspenso. 

Cunha, que tem negado qualquer favorecimento no esquema, afirmou que nenhum material foi recolhido em seu gabinete. Ele disse ter ordenado que se “facilitasse” o acesso dos policiais federais à Casa. “O que foi feito aqui é absolutamente desnecessário. Não precisa ser feito isso. Bastava mandar um ofício, mandaria tudo que se pediu. Vir aqui buscar daquela forma o que vieram buscar... Bastava mandar um ofício. Não precisava de nada disso”, afirmou. 

Acesso. Na tarde desta quarta a defesa do presidente da Câmara pediu ao STF o acesso ao teor dos dados coletados. Ele também solicitou o acesso ao pedido da Procuradoria para a realização das diligências e à íntegra da decisão do ministro Teori Zavascki que autorizou a coleta. 

Segundo o advogado de Cunha, Antônio Fernando de Souza, o Supremo tem uma súmula vinculante que garante “acesso amplo” à defesa ao requerimento da Procuradoria-Geral da República que fundamentou a decisão, assim como a todos os elementos de prova coletados. / COLABOROU NIVALDO SOUZA

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