Brasil volta a cair em ranking de competitividade

País passa do 44º para o 46º lugar em estudo feito pela escola de administração suíça IMD, que cita perdas em investimento direto no exterior, inflação e redução da atividade econômica.

BBC Brasil, BBC

31 Maio 2012 | 05h21

Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil perdeu posições em um recém-divulgado ranking de competitividade internacional, que cita declínio do país em investimentos diretos no exterior, crescimento da economia, eficiência do governo e inflação.

O ranking de competitividade entre 59 países, feito pela escola de administração suíça IMD, é liderado por Hong Kong e pelos Estados Unidos e coloca o Brasil na 46ª posição, duas abaixo da ocupada em 2011.

O país vinha subindo no ranking entre 2007 e 2010, mas em 2011 caiu do 38º posto ao 44º. Agora, foi ultrapassado pela Hungria e a Lituânia.

A avaliação da IMD, publicada desde 1989, é feita com base em dados compilados por instituições locais - os do Brasil foram levantados pela Fundação Dom Cabral - e por entrevistas com 4.200 executivos internacionais. Seu objetivo é medir como os países gerenciam seus recursos humanos e econômicos para aumentar sua prosperidade.

Em comparação com os países do Bric, o Brasil só se sai melhor que a Rússia, em 48º lugar. A China continental foi colocada em 23º lugar do ranking, e a Índia, em 37º. Ambas perderam posições em relação ao ano anterior.

Na América Latina, três países - Chile, Peru e México - foram considerados mais competitivos que o Brasil.

"O Brasil cresceu nas exportações de commodities, mas não tanto nas exportações de valor agregado", explica à BBC Brasil o português Nuno Fernandes, professor de finanças do IMD.

Ele também diz que medidas protecionistas jogam contra a atuação das empresas brasileiras no exterior. "As empresas focaram no mercado interno e prosperaram, mas quando a economia brasileira abranda e elas tentam ir ao exterior, não têm tanta competitividade."

Altos e baixos

O relatório da IMD lista, entre as "melhorias" apresentadas pelo país, melhor controle da evasão fiscal, melhor expectativa de suprimento de energia, maior recebimento de investimentos diretos estrangeiros e crescimento nas exportações.

Em compensação, o IMD cita uma forte redução do fluxo de investimentos diretos brasileiros no exterior, a redução de ritmo da economia (o governo prevê um aumento do Produto Interno Bruto entre 3% e 4%; o mercado projeta até menos de 3%) e o aumento da inflação e do custo de vida.

O país também pontuou menos em controle das finanças públicas e da corrupção.

Para estimular a competitividade brasileira, o relatório sugere reduções de impostos, investimentos em infraestrutura, acelerar os investimentos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas e investir em pesquisas e desenvolvimento, entre outros.

Papel dos EUA

Além de Hong Kong e EUA, o ranking é encabeçado por Suíça, Cingapura e Suécia.

E o papel dos Estados Unidos foi destacado pelo relatório como essencial para a prosperidade global.

"A competitividade dos EUA tem um impacto profundo no resto do mundo porque (o país) está interagindo de forma única com todas as demais economias, avançadas ou emergentes. Nenhum outro país pode exercitar tanto o poder de 'puxar' o mundo", disse em comunicado Stephane Garelli, diretor do Centro de Competitividade Global do IMD.

"A Europa está sob o fardo da austeridade e da liderança política fragmentada e dificilmente será um substituto crível. Enquanto isso, o bloco Sul-Sul de nações emergentes ainda é uma obra em construção. No final das contas, se os EUA competem, o mundo é bem-sucedido", opinou. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.