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Brasil tem maior número de pedidos de remoção do Google

Gabriel Manzano/

15 Fevereiro 2011 | 23h 01

Comitê para Proteção dos Jornalistas contou 270 páginas removidas, das quais 177 por ordem judicial na primeira metade de 2010

SÃO PAULO - Só na primeira metade do ano passado, o Google recebeu 398 pedidos de retirada de material divulgado em seus servidores páginas. Não se trata, necessariamente, de material jornalístico: muitos se referem a conteúdos abusivos ou ilegais. Nenhum outros país no mundo teve tantos pedidos no mesmo período. O número é o dobro do segundo da lista, que foi a Líbia. Dos 398 pedidos, 270 foram atendidos, sendo 177 por ordem judicial.

 

Ordens de censura

 

Além disso, nos dias finais da corrida eleitoral brasileira os juízes do País emitiram 21 ordens de censura, segundo pesquisa do Centro Knight para o Jornalismo, do Texas (EUA), e muitas agências de notícias foram multadas ou tiveram de remover conteúdos. "Esse quadro mostra que a censura e a autocensura, que vem junto, estão atingindo níveis muito sérios no Brasil", resume Carlos Lauria, do Comitê para a Proteção dos Jornalistas.

 

Lauria, que vive em Nova York, apresentou ontem em São Paulo o relatório Ataques à Imprensa em 2010 - um livrão de 400 páginas, com outro menor sobre América Latina, num encontro promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). "Nossos levantamentos apontam 44 jornalistas mortos em serviço, no ano passado, e 145 presos, em todo o mundo", revela.

 

A censura ao Estado, hoje em seu 565.º dia, é o destaque de abertura do levantamento sobre o continente. "É espantoso que num país como o Brasil um dos maiores jornais seja proibido de noticiar um grande escândalo, que envolve figuras políticas conhecidas. Não consigo imaginar o Washington Post, por exemplo, sendo proibido de publicar algo sobre um ex-presidente do país." De São Paulo Lauria vai a Brasília, onde se reunirá amanhã com autoridades do Planalto, da Secretaria das Comunicações e dos Direitos Humanos. Sua agenda inclui uma visita ao Supremo Tribunal Federal.

 

Artifício

 

Os levantamentos do CPJ, nos cinco continentes, apontam um novo artifício dos governos para impedir o trabalho da imprensa: eles enquadram os jornalistas em crimes de outra ordem, como subversão ou atos contra o interesse nacional, nos quais as leis sobre imprensa não se aplicam. Isso tem ocorrido no Oriente Médio, no Casaquistão, na África.

 

Na América Latina, o fenômeno mais grave é o misto de censura e autocensura. México, Honduras, Equador e Venezuela são os países onde, segundo o comitê, os jornalistas vivem momentos mais difíceis. "Há regiões onde o crime organizado manda e a lei é ignorada, como no norte do México", lembrou o coordenador. "Em cidades como Puerto Juarez ou Reynosa há uma rotina de assassinatos, perseguições e sequestros. Sem garantias, o jornalista tem de escolher entre publicar ou mudar sua pauta. Assim as informações vão desaparecendo", resume. "É dramático ver 0 que ocorreu em Reynosa. Foram mortas cerca de 300 pessoas em uma semana e não saiu uma linha em lugar nenhum."

 

ESCLARECIMENTO: Em versão anterior desta notícia, foi informado equivocadamente que os pedidos de remoção feitos ao Googles se referiam a textos jornalísticos. Essa versão também apontava que 398 textos teriam sido removidos, quando na verdade foram atendidos 270 pedidos de remoção.