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Bolsa Família pode deixar de ser trunfo eleitoral de Dilma, diz especialista

Elizabeth Lopes

28 Fevereiro 2014 | 11h 50

Marcos Coimbra, presidente do Instituto Vox Populi, avalia que nova classe C não se identifica mais com programa, o que reduz impacto eleitoral

São Paulo - Uma das grandes vitrines do PT nas campanhas eleitorais que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff para a Presidência da República, o Programa Bolsa Família, poderá deixar de ser um patrimônio político nas eleições gerais deste ano e se tornar um problema a ser administrado pelos petistas. A análise é do presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, com base em recentes pesquisas qualitativas realizadas por seu instituto.

O levantamentos detectaram um desgaste e o crescente aumento das críticas dos setores emergentes da classe média com relação a este programa do governo federal. "O Bolsa Família envelheceu, não pode mais ser usado como o grande carro-chefe das campanhas petistas. E as críticas não são apenas da classe média conservadora, mas estão vindo especialmente da chamada nova classe C, justamente aquela que ascendeu na gestão do PT", destaca Coimbra.

Segundo ele, os cidadãos da chamada nova classe C, que congrega um contingente estimado em 40 milhões de pessoas - um número não muito distante do total de 47,6 milhões de votos que Dilma teve no primeiro turno das eleições gerais de 2010 -, têm demonstrado em suas críticas ao Bolsa Família que não estão mais identificados com este tipo de benefício, que se tornou um símbolo do que eles não são mais, pois ascenderam socialmente com seus próprios méritos e agora não querem mais compactuar com os que ainda se escoram nas benesses governamentais. "Esses cidadãos alegam que pagam seus impostos, enquanto outros recebem as benesses do governo, por isso não querem mais ser identificados com os que ainda dependem do programa para sobreviver", explicou o presidente do Vox Populi.

Coimbra disse que mais grave do que o desgaste de um programa que já foi o grande trunfo eleitoral do PT e que, inclusive, gerou em campanhas passadas grandes disputas pela paternidade dessa ação, sobretudo por parte do PSDB, é a ausência de um posicionamento do atual governo com relação a eventuais avanços nessa ação social. Ele avalia que, sem um discurso contundente e positivo em defesa do Bolsa Família, o programa poderá ser classificado como o símbolo de uma política equivocada. "Algo que seria impensável nas campanhas passadas, mas com as mudanças econômicas e os avanços sociais para os menos favorecidos, o programa tornou-se obsoleto para a classe emergente."

O cientista político e professor de administração pública da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo Marco Antonio Carvalho Teixeira diz que, em termos de lógica eleitoral, é preocupante a avaliação do presidente do Instituto Vox Populi sobre o Bolsa Família. "Isso acende mais um sinal amarelo para a campanha da presidente Dilma Rousseff e também poderá forçar a oposição a mudar o seu discurso com relação a este benefício, pois ele era um símbolo praticamente intocado", afirma. "Os opositores do PT tinham receio de criticá-lo. O máximo que faziam, inclusive nesta pré-campanha, com os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), é dizer que vão aprimorá-lo, mas sem explicar como."

Aécio Neves chegou a sugerir um projeto que prevê a incorporação do Bolsa Família à Lei Orgânica de Assistência Social (Loas). Na terça-feira (25), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a defender que o Bolsa Família é uma expansão de políticas criadas durante seu mandato. "Muita coisa foi continuada, as bolsas que criamos foram expandidas", disse em cerimônia em comemoração aos 20 anos do Plano Real no Senado.

Carvalho Teixeira diz que a percepção levantada por Marcos Coimbra corrobora um dos sentimentos que levaram milhões de pessoas às ruas de todo o País, em junho do ano passado: o desejo de avançar, de querer mais. "Essa percepção dialoga com as manifestações de junho, pois deixa claro que o contingente de pessoas que foram às ruas, muitos da chamada nova classe C, reivindicavam avanços, queriam mais." O próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso realizado na Etiópia, logo após as manifestações, disse: "Feliz é um País com um povo que vai às ruas querendo mais". Nesse discurso, ao falar do Bolsa Família, que completou dez anos em 2013, o ex-presidente petista afirmou que "dar dinheiro para pobre não é gasto, é investimento".

A pesquisa qualitativa do Vox Populi já preocupa setores do Partido dos Trabalhadores. Uma fonte da legenda disse ao Broadcast Político que, mais preocupante do que a percepção negativa deste grande contingente de pessoas da nova classe C com relação ao Bolsa Família, é a postura do próprio governo em não dar respostas positivas e defender essa tradicional bandeira petista, sob o aspecto da cidadania e da inclusão social. "O que nos conforta, é que a oposição, sobretudo os tucanos, também estão sem discurso neste sentido", ironiza a fonte do PT.

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