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'Blocão' impõe derrota ao governo e cria comissão para investigar Petrobrás

Ricardo Della Coletta e Daiene Cardoso - O Estado de S. Paulo

11 Março 2014 | 20h 52

Aprovação do requerimento que contraria os interesses do Planalto, contou com apoio de 257 parlamentares e partidos da base aliada, como PMDB, PR, PTB e PSC

Brasília - O chamado "blocão", grupo informal de deputados da base insatisfeitos com a articulação política conduzida pelo governo, impôs na noite desta terça-feira, 11, uma dura derrota ao Palácio do Planalto ao aprovar um requerimento para que parlamentares viajem ao exterior e acompanhem investigações de corrupção que citam a Petrobrás.

Ao final da votação, 267 parlamentares apoiaram o requerimento, 28 se manifestaram contrários e 15 se abstiveram. A aprovação do requerimento contou com apoio de partidos da base: PMDB, PR, PTB e PSC orientaram suas bancadas contra os interesses do Planalto.

O projeto analisado na noite desta terça cria uma comissão externa formada por parlamentares para acompanhar, na Holanda, as investigações de um suposto esquema de pagamento de propina da holandesa SBM Offshore a funcionários e intermediários da Petrobrás, em negócios envolvendo fretamento de plataformas.

O tema sofria forte resistência do governo, que tentou demover os deputados insatisfeitos e prometeu levar ao Congresso Nacional ministros para explicarem as medidas que estão sendo adotadas para apurar o caso. Nesta quarta-feira, 12, os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, devem ir a Câmara para tratar do tema.

Ainda na tentativa de blindar o Planalto, petistas argumentaram que o Ministério Público holandês ainda não decidiu se há elementos para abrir uma investigação formal. "Há um grave erro político porque nós poderemos prejudicar a Petrobrás e colocar a Petrobrás, no plano internacional, sobre uma suspeição que ainda não existe", declarou o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (SP).

Falou mais alto, no entanto, o descontentamento da base aliada com o governo. Na lista de reclamações, constam acusações de que o Planalto beneficia deputados do PT, problemas com a liberação de emendas - vitais para os congressistas em ano eleitoral - e a indefinição na reforma ministerial conduzida pela presidente Dilma Rousseff.

Na tarde desta terça, a bancada do PMDB acirrou ainda mais a crise ao anunciar que atuará, a partir de agora, de forma independente do Planalto. O posicionamento peemedebista é uma resposta à tentativa do Executivo de isolar o líder da sigla na Casa, deputado Eduardo Cunha (RJ), pivô da crise política.

Os integrantes do "blocão", grupo informal que conta com representantes do PMDB, PP, PDT, PSC, PR, PROS e SDD (este último oposicionista), decidiu abraçar o requerimento inicialmente apresentado pela oposição para retaliar o Planalto em um tema sensível ao governo. A criação da comissão externa chegou a ser discutida em Plenário na semana anterior ao feriado do Carnaval, mas sua votação não foi concluída naquela data.