Sebastião Moreira/EFE
Sebastião Moreira/EFE

Bispo que presidiu ato no Sindicato dos Metalúrgicos diz que aceitaria convite de novo

CNBB vai soltar nota sobre situação política do País, mas sem citar Lula

José Maria Mayrink, enviado especial a Aparecida (SP), O Estado de S.Paulo

12 Abril 2018 | 11h11

APARECIDA - “Estamos vivendo um momento esquizofrênico”, disse nesta quarta-feira, 11, ao Estado o cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, depois de ter relutado a comentar a repercussão de comentários seus sobre o ato religioso celebrado no sábado em memória de Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato, quando afirmou que se estava misturando religião com política.

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D.Odilo resiste a falar à imprensa sobre o assunto em Aparecida, onde participa da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacinal dos Bispos do Brasil (CNBB), inaugurada nesta quarta-feira, mas gravou uma entrevista para o serviço italiano da RádioVaticano, na qual falou sobre a condenação e prisão de Lula. O cardeal afirmou que, embora o presidente tenha realizado obras positivas no governo, ele se envolveu também em questões que precisam ser esclarecidas.

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O bispo d. Angélico Sândalo Bernardino, emérito de Blumenau e ex-auxiliar de São Paulo, que presidiu o ato religioso à porta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, voltou a dizer que ele e outros participantes – padres católicos e pastores evangélicos – se retiraram antes do discurso de Lula no mesmo local. D. Angélico também evita tocar no assunto, mas a quem pergunta ele responde que celebrou o ato convite por ser amigo do ex-presidente. “Se voltasse a ser convidado, aceitaria o convite de novo”, garantiu.

Os bispos estão analisando a situação política do País e vão publicar uma nota oficial da CNBB no contexto da crise, mas o texto não abordará explicitamente questões pontuais, como a prisão de Lula. “A Assembleia Geral não vive na lua e tem os olhos voltados para a realidade que vivemos”, disse em entrevista coletiva o arecebispo de Mariana, d. Geraldo Lyrio da Rocha. O presidente da Comissão da Pastoral de Comunicação Social, d. Darci Niciolli, arecebispo de Diamantina, acredita que a nota só será divulgada na próxima semana, após exaustiva discussão dos bispos. Em sua opinião, deveria ser publicada logo. O enfoque serão as eleições de outubro.

O tema central da Assembleia Geral é a formação do presbíteros. Segundo o arcebispo de Porto Alegre, d. Jaime Spengler, a discussão se restringirá a propostas de atualização das diretrizes para a formação dos seminaristas e padres. Os bispos não levantarão temas como a ordenação de padres casados e a admissão de mulheres como diaconisas, sacerdotisas e bispas – questões em ebulição na Igreja, em vários países. No Brasil, propõe-se ordenar homens casados para suprir a falta de padres em regiões como a Amazônia.

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