Bicheiro diz que tem cheques e fotos contra Renan

Plínio Batista teme reação violenta do deputado Olavo Calheiros e do ex-prefeito de Murici, Remi Calheiros

Agencia Estado

25 Junho 2007 | 15h55

O bicheiro Plínio Batista, que se disse ameaçado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que, além de cheques, tem fotografias e fitas de vídeos que mostram que o clã dos Calheiros mantinha relação próxima com ele. O bicheiro, impedido de exercer a profissão ilegal, agora fabrica e vende fogos de artifício em Maceió e Aracaju, contou que para se proteger de um eventual atentado providenciou segurança particular. O vereador da cidade de Murici, Plínio Júnior, filho do bicheiro, disse que a família teme uma reação violenta por parte do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) e do ex-prefeito de Murici, Remi Calheiros. Ainda assim, o bicheiro Batista reafirmou que a responsabilidade por tudo que acontecer a sua vida é do senador Renan Calheiros. "Até se eu morrer de acidente de trânsito a responsabilidade é dele. O meu receio é porque o senador sabe que eu tenho prova contra ele", disse em nova conversa com o Estado. Batista, que é acusado de vários crimes e assassinatos, contou que tem uma relação de cheques que supostamente comprovam uma relação entre ele e o senador. Ele assegura que pagou na extinta gráfica Idéia, de propriedade de Benezido Rodrigues, preso na operação Rio Nilo, desencadeada no início do ano pela Polícia Federal, santinhos e material de campanha para o senador Renan Calheiros. "O Plínio pagava a propaganda, cartazes, santinhos e ainda abastecia os carros", confirmou Rodrigues ao Estado. Plínio garantiu que tem cheques das agências do Banco do Brasil, Produban e da Caixa Econômica, assinados por Remi Calheiros, prefeito de Murici, cidade natal dos Calheiros, que supostamente demonstrariam uma relação de proximidade entre ele, o senador e a família Calheiros. Empréstimos suspeitos O bicheiro, que é inimigo político do presidente do Senado, afirmou que, por ordem de Renan, chegou a fazer empréstimos para a prefeitura de Murici para o pagamento dos funcionários. "Quando Remi Calheiros ganhou a eleição da prefeitura de Murici, o senador Renan Calheiros, me autorizou a fazer um empréstimo para ele pagar a folha de dezembro e o décimo terceiro", acusou. Parte do empréstimo teria sido devolvido por Remi com cheques dos três bancos. "Ele me deu os cheques. Muitos foram compensados, mas outros voltaram sem fundos, não cobriram, se o Banco Central quebrar o sigilo da prefeitura de Murici no anos de 1996 a 2000 vai encontrar muito cheques dele para mim", disse. Segundo Batista, a renda do bicho, cerca de 10 mil dólares por dia, serviu também para pagar despesas pessoais do senador. "Eu paguei despesas de campanha e até despesas de pessoal", contou. Entre as despesas de campanha, o bicheiro disse que financiou compra de camisetas, pagou aluguel de carro, gasolina e distribuição de cartazes. O advogado Eduardo Ferro, que defende o presidente do Senado, disse que desconhece qualquer envolvimento do senador Renan Calheiros com o bicheiro Plínio Batista. "Essas questões já surgiram em campanhas eleitorais, levantadas por adversários políticos de Renan. Acho que isso pode estar sendo requentado agora e acredito que não tenha procedência", disse na última sexta-feira.

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