Berlusconi classifica como 'inaceitável' permanência de Battisti no Brasil

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou para a amanhã, 31, o último dia do seu mandato, a decisão oficial sobre a extradição

Reuters,

30 Dezembro 2010 | 21h41

ROMA - O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi disse nesta quinta-feira, 30, que seria inaceitável que o ex-ativista Cesare Battisti não fosse extraditado do Brasil para condenações por assassinato, datando da década de 1970.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou para a amanhã, 31, o último dia do seu mandato, a decisão oficial sobre a extradição.

 

O gabinete de Berlusconi disse em comunicado que uma possível preocupação com a deterioração do bem-estar Battisti no caso de ser extraditado para a Itália poderia ter afetado a decisão de Lula. "O presidente brasileiro terá que explicar esta decisão, não apenas ao governo italiano, mas também a todos os italianos e, em particular às famílias das vítimas", acrescentou.

 

O Supremo Tribunal Federal decidiu no ano passado pela extradição de Battisti por crimes cometidos durante os chamados "anos de chumbo" da Itália na década de 1970, quando violentos grupos de esquerda realizaram uma campanha de sequestros e assassinatos. No entanto, o tribunal deixou a decisão final para Lula, que concedeu estatuto de refugiado à Battisti em 2009. Battisti nega as acusações e diz que está sendo perseguido politicamente na Itália.

 

No início da quinta-feira, um importante ministro italiano foi citado como tendo dito que as relações com o Brasil será seriamente prejudicadas caso Battisti não fosse extraditado.

 

"Ninguém deve imaginar que um 'não' à extradição de Cesare Battisti seria sem consequência", disse o ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, segundo o jornal Corriere della Sera em uma entrevista publicada hoje. "Eu considero isso um grande prejuízo para as relações bilaterais", acrescentou.

 

La Russa, ministro do partido de extrema-direita O Povo da Liberdade, ele é considerado próximo ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi, porém não é claro se a sua opinião reflete a política do Governo. "No que me diz respeito, estou pronto para tomar outras iniciativas", disse ele. Ele não deu exemplos concretos, mas disse que estaria disposto a apoiar boicotes não especificados ao Brasil.

 

No entanto, La Russa disse que um acordo de cooperação com o Brasil que deve ser aprovado pelo Parlamento em 11 de janeiro está em estágio avançado demais para ser afetado. "É muito tarde para isso. O governo já fez o que for necessário, o resto é com o parlamento", disse ele.

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