Bate-boca no gabinete de Renan: 'aqui não é creche'

Jader Barbalho e Rose de Freitas discutem sobre concessão de prazo para defesa de Dilma no caso das pedaladas

Adriano Ceolin, O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2015 | 13h58

BRASÍLIA - Senadores do PMDB bateram boca no gabinete da presidência do Senado ao divergirem sobre o trâmite do processo de rejeição das contas da presidente Dilma Rousseff do exercício de 2014. A presidente da Comissão Mista de Orçamento, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), foi a pivô da briga. Ela queria que Renan não concedesse prazo de 45 dias para Dilma fazer sua defesa na Mesa Diretora da Casa.

Rose preferia que Renan enviasse o processo diretamente para a comissão. Nesse caso, a senadora se tornaria, de imediato, a principal interlocutora do governo no assunto. Em outras palavras, seu "passe" ficaria mais valorizado. Rose planeja disputar a sucessão de Renan no comando do Senado, em 2017. Seria estratégico, portanto, ter o controle sobre o destino das contas do governo federal, já que, em tese, a rejeição embasaria um pedido de impeachment de Dilma por crime de responsabilidade. 

Colegas de PMDB no Senado, Jader Barbalho (PA) e Eunício de Oliveira (CE), o atual líder da bancada, resolveram atrapalhar os planos da presidente da Comissão de Orçamento e bateram o pé, na terça-feira, dizendo que Renan deveria dar um prazo para Dilma se defender na Mesa.

Rose irritou-se e apelou: "Você, Renan, conta com essas figuras, mas eu é que sou sua aliada". Ex-presidente do Senado, Jader esbravejou: "Isso aqui (o Senado) não é creche, não é jardim de infância." Rose deixou o gabinete de Renan aos prantos.

Ainda na terça-feira, Renan preferiu não decidir sobre o assunto por completo e somente leu em plenário o recebimento do parecer do TCU, sem definir um prazo de defesa na Mesa. Depois, foi a vez do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), ir ao gabinete de Renan pedir que ele concedesse o prazo de 45 dias. "A Rose acha que o governo tem voto na comissão para aprovar as contas, mas não temos", afirmou Delcídio ao presidente do Senado. 

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