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Bate-boca marca depoimentos na Zelotes

Confusões envolveram funcionários da Justiça Federal, agentes da PF, réus e o procurador da República Frederico Paiva

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Andreza Matais, Beatriz Bulla e Fábio Fabrini,
O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2016 | 06h45

BRASÍLIA - As audiências de testemunhas na Operação Zelotes têm sido tumultuadas e, não raro, marcadas por episódios inusitados. Nesta segunda-feira, 25, após o primeiro dia de depoimentos, uma funcionária da Justiça Federal tinha dificuldades até de encontrar os presos para devolvê-los à cadeia. Gritava: “Vocês estão presos! Não podem sair sem assinar a lista!”.

Com advogados, funcionários da Justiça e ao menos oito depoentes, além de jornalistas, a sala de audiências ficou lotada. Agentes da Polícia Federal que faziam a escolta dos presos comentavam entre si no fim da sessão. “Vou pegar os meus dois (presos), virou muvuca. Só falta um coquetel aqui”, disse um policial para o colega.

‘Plateia’. Os réus acompanharam os depoimentos sem uso de algemas, por decisão do juiz Vallisney Oliveira, que conduz o caso na 10.ª Vara da Justiça Federal em Brasília. No intervalo da sessão, dois lobistas presos por envolvimento no esquema de “compra” de medidas provisórias pararam, sem escolta, para observar entrevista do procurador da República Frederico Paiva. Desconfortável, o procurador comentou: “Vamos ter plateia?”.

Deu-se o diálogo: “A defesa pode dar entrevista?”, perguntou o lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS, interessado em falar. O lobista continuou: “Eu só conhecia o senhor pela denúncia. Só tinha visto no processo seu nome e nunca tinha visto o senhor”. “E gostou?”, rebateu o procurador. “É bom saber quem me acusa, né?”, disse APS. Paiva encerrou a conversa: “Eu não acuso, eu sou Ministério Público, eu sou um servidor público. Represento uma instituição.” Os dois réus foram embora juntos, ainda sem a escolta policial. 

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