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BASTIDORES: Prisão de Geddel deve inviabilizar aliança de DEM e PSDB com PMDB na Bahia

Tucanos e membros da sigla de Maia veem que grupo político do ex-ministro de Lula e Temer ficou desgastado

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2017 | 11h11

BRASÍLIA - A prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima deve inviabilizar uma aliança de DEM e PSDB com PMDB na Bahia em 2018, preveem integrantes das cúpulas tucana e do DEM ouvidos em caráter reservado pelo Estadão/Broadcast. A avaliação é de que vai ser muito difícil se aliar ao PMDB, que é comandado pelo grupo de Geddel no Estado, diante do desgaste político da detenção do ex-ministro.

Na Bahia, DEM e PSDB estarão juntos em 2018 na chapa do atual prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Ele deve disputar o governo do Estado contra o atual governador, Rui Costa (PT), que tentará reeleição. Ao PSDB, caberá uma das duas vagas ao Senado. O PMDB reivindicava a outra, para a qual pensava em ter Geddel como candidato. Com o desgaste, porém, o nome mais cotado passou a ser o do deputado federal Lúcio Vieira Lima, irmão do ex-ministro. 

DEM e do PSDB avaliam, porém, que uma aliança com PMDB está cada vez mais inviável diante da prisão de Geddel. Membros dos dois partidos cobram que outros peemedebistas baianos "tomem" de vez o comando do partido do grupo de Geddel, que está licenciado da presidência estadual da legenda desde que passou a cumprir prisão domiciliar. A avaliação é de que a aliança só será possível se a direção do partido não estiver contaminada pelo grupo do ex-ministro. 

Diante do desgaste, integrantes do DEM e do PSDB já falam que a segunda vaga do Senado pode ir para outro partido. Uma das opções seria o PR. O partido hoje integra a base aliada do governador Rui Costa. ACM Neto, porém, tentam atrair o apoio da legenda para sua candidatura, acenando com uma das vagas do Senado ou de vice-governador para um nome da sigla.

Caso se confirme, restaria ao PMDB a Prefeitura de Salvador. Com a saída de ACM Neto do cargo, o vice-prefeito, Bruno Reis, que é do PMDB, assumiria o comando da capital soteropolitana até o fim de 2020, quando acaba o atual mandato. 

Prisão. Geddel foi preso pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira em Salvador por decisão  da 10ª Vara de Brasília. Ele foi detido no prédio em que já cumpria prisão domiciliar, no bairo Jarim Apipema, por volta das 5h40. A medida é mais uma fase da Operação Cui Bono, um desdobramento da Lava Jato conduzido pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal. O ex-ministro deverá ficar preso em Brasília.  A prisão aconteceu três dias após a PF encontrar  R$ 51 milhões de Geddel em um apartamento na capital soteropolitana que teria sido emprestado ao ex-ministro por um empresário amigo. O valor estava distribuído em oito caixas e seis malas. Os policiais acharam as digitais de Geddel no imóvel. Os valores apreendidos serão transportados a um banco, onde será depositado em conta judicial.

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