Bastidores: Depoimento faz festa do PT virar encontro de 'companheiros na dor'

Reunido hoje em Belo Horizonte para comemorar os 35 anos do partido, o diretório nacional do PT deve reafirmar em resolução política o apoio à presidente Dilma Rousseff, rechaçar a "ameaça golpista", fazer uma defesa da Petrobrás e um novo desagravo ao tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2015 | 02h03

A resolução, no entanto, é apenas a parte pública do encontro, uma espécie de preliminar da grande festa de aniversário marcada para a noite. O evento contará com as presenças de Dilma, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente do Uruguai José Mujica, convidado especialmente para a celebração.

A portas fechadas, o clima não será nada festivo. Embora Vaccari tenha se apressado em tentar tranquilizar o partido - ele disse que o depoimento do ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco não apresenta novidades e que todas as indagações feitas pelos investigadores da Operação Lava Jato foram respondidas -, a forma como o tesoureiro foi levado ontem pela Polícia Federal para depor abalou o partido.

Além disso, o PT está preocupado com a condução política desastrada do governo, exposta na derrota na eleição para a presidência da Câmara, e com a ofensiva da oposição e setores da sociedade que começam a falar abertamente em impeachment.

Para estragar de vez a festa, a corrente majoritária Construindo um Novo Brasil reclama da falta de espaço no Ministério e o setor sindical, um dos pilares do PT, está em pé de guerra com o governo por causa do ajuste fiscal que reduz direitos trabalhistas. O presidente da CUT, Vagner Freitas, participará da reunião e deve repetir as críticas ao governo feitas na semana passada.

Uma cena vista ontem exemplifica o clima de fim de festa no PT. Ao chegar ao hotel onde a direção está hospedada, um deputado foi saudado por uma dirigente local com o tradicional "companheiro". Cabisbaixo, ele respondeu: "Companheiros na dor".

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