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Bastidores: Crise na companhia colocou presidente e Lula em lados opostos

A crise na Petrobrás pôs a presidente Dilma Rousseff e seu padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva em lados opostos. Lula ficou irritado quando o escândalo na estatal atingiu o ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli, nomeado por ele para o cargo. Para Lula, Dilma deveria ter demitido a atual presidente, Graça Foster, há pelo menos seis meses e, ao não tomar a atitude, permitiu que o PT e seus correligionários fossem achincalhados, ressuscitando o desgaste do mensalão.

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Vera Rosa e Tânia Monteiro ,
O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2015 | 02h03

A opinião de Lula é compartilhada pela cúpula do PT. Na avaliação de dirigentes do partido, Graça atua na Petrobrás única e exclusivamente para defender e proteger Dilma. "Ela inverteu a lógica da empresa: quis priorizar o governo e acabou se dando mal", disse um ex-diretor da estatal.

No seu diagnóstico, Dilma percebeu, porém, que era preciso "vazar" a decisão de tirar Graça para mudar o clima na empresa. "Se não mudar o técnico, o time continua perdendo o jogo", emendou ele. Na tarde de ontem, com as especulações sobre a saída de Graça, as ações da Petrobrás tiveram forte alta na Bolsa de Valores.

Petistas ligados a Lula também não perdoam Graça porque, em meio à tormenta na Petrobrás, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi acusado pelo ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef de receber propina para caixa 2 do partido. Vaccari nega a denúncia feita pela dupla em acordo de delação premiada com o Ministério Público.

Lula e o comando do PT até hoje não se conformam com o fato de Dilma ter puxado a crise da Petrobrás para o Palácio do Planalto. Tudo ocorreu depois que ela disse só ter aprovado a compra da refinaria de Pasadena (EUA), em 2006, após ter recebido um "parecer falho" da diretoria da empresa, comandada por Gabrielli.

À época Dilma era ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás. O negócio causou prejuízo de US$ 792 milhões à estatal, segundo parecer do Tribunal de Contas da União (TCU).

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