Bastidores: Bernardo e Padilha, as falas decisivas

Declarações foram empurrões definitivos para a renúncia de Gim Argello ao cargo

Leonencio Nossa e Lu Aiko Otta, de O Estado de S.Paulo,

07 Dezembro 2010 | 23h01

BRASÍLIA - Uma entrevista do ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e uma nota oficial do Ministério da Cultura (MinC) funcionaram como os empurrões definitivos para o senador Gim Argello renunciar à relatoria do Orçamento. A decisão foi tomada depois de Padilha, por ordem do Planalto, anunciar que era preciso investigar as denúncias do Estado. A nota do MinC desmentiu Gim. O outro golpe veio do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que anunciou a suspensão de repasses às entidades fantasmas que recebiam os recursos via emendas do senador.

 

Bernardo disse que é obrigação do governo investigar o uso dos recursos, assim como o Tribunal de Contas da União (TCU).O ministro lembrou que há um processo de avaliação de admissibilidade de emendas e disse esperar que os parlamentares evitem a repetição do problema no Orçamento de 2011.

 

A nota oficial do MinC desmentiu as declarações de Gim Argello dadas na segunda-feira: "Não procede a afirmação de que foi o Ministério o responsável pela escolha das instituições para realizar projetos definidos por emenda do senador". Antecipando-se à decisão de Bernardo, o MinC havia decidido "suspender o andamento de projetos financiados por emendas parlamentares que tiveram suspeitas levantadas por reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, no último domingo". No início da tarde, Padilha disse que "se tem denúncias, o governo vai apurar". De manhã, o próprio Argello encaminhou ofício ao TCU e à Controladoria-Geral. Padilha pediu que a investigação não interrompa a votação da proposta orçamentária do ano que vem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.