BASTIDOR: Planalto vê com cautela afastamento de Aécio

Sentimento inicial é de que desdobramentos não devem ter impacto decisivo na derrubada da segunda denúncia contra Temer

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2017 | 12h55

BRASÍLIA - A avaliação preliminar de auxiliares do presidente Michel Temer em relação à decisão tomada na terça-feira, 26, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou o senador tucano Aécio Neves (MG) do exercício das funções parlamentares e o colocou em recolhimento domiciliar noturno, é de cautela e compasso de espera.

Para auxiliares do presidente, ainda é preciso aguardar a decisão do Senado em relação à situação de Aécio. Mas o sentimento inicial é de que os desdobramentos não devem ter um impacto decisivo na derrubada da segunda denúncia contra o presidente, por obstrução da justiça e organização criminosa.

A avaliação é de que o racha que a situação do tucano deve continuar a promover dentro do PSDB é similar ao que já havia na primeira denúncia, quando o partido votou rachado. No Planalto, continua a convicção de que Temer derrubará a denuncia.

Auxiliares confirmam que o presidente vai manter a agenda cheia e atender conforme demanda, assim como fez na primeira ocasião. Além disso, tentar pelo menos publicamente não interferir na questão interna do partido.

BANCADA MINEIRA

O presidente, que na terça-feira, 26, decidiu sinalizar que estaria disposto a atender a demanda de parlamentares da bancada mineira ao retirar uma das usinas da Cemig do leilão, terá que rearticular com parlamentares mineiros por possíveis novas demandas, já que a usina de Miranda acabou sendo leiloada nesta manhã.

Um auxiliar do presidente negou que o aval de Temer para tirar Miranda do leilão fosse "enganação" e disse que, apesar de a Advocacia-Geral da União ter montado um esquema de plantão com dezenas de advogados e procuradores em todo o País para garantir a realização do leilão das usinas da Cemig, o presidente conversou com a Cemig e deputados da bancada mineira para que tentassem até o fim tentar tirar a usina do leilão.

Segundo essa fonte, a Cemig havia se comprometido a conseguir recursos para comprar a Miranda até dezembro e o governo havia inclusive se disposto a ficar sem essa parte do recurso. Apesar disso, o acordo não pode ser construído e agora o governo passa a comemorar o bom resultado obtido nesta manhã.

Há pouco, Temer usou o Twitter para exaltar a realização do leilão das usinas da Cemig. "Nós resgatamos definitivamente a confiança do mundo no Brasil. Leilão das usinas da Cemig rendeu R$ 12,13 bi, acima da expectativa do mercado", escreveu o presidente. Ao longo dos últimos meses, analistas consideraram otimistas a previsão de R$ 11 bilhões no leilão das quatro usinas.

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